segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Cultivo e o Enxerto na Videira:


As vinhas em que se produzem os melhores vinhos estão sujeitas a manejos de cultivo que, em grande parte, não diferem muito daqueles que se praticam em outros tipos de culturas, nas várias regiões de produção fruticultura. Estes manejos são:
  • A Enxertia;
  • A Poda;
  • A Empa;
  • A Rega.
A enxertia é um método muito curioso de propagação vegetativa de plantas, sendo muito utilizada, de maneira geral na produção de mudas de frutíferas, para a fruticultura.

A técnica consiste basicamente em juntar os tecidos de uma planta aos tecidos de outra planta, que geralmente é da mesma espécie, passando a formar uma planta com as duas partes: o enxerto (copa, base) e o porta-enxerto (cavalo, topo).


Para quê enxertar? Quais as vantagens?

Há motivos para fazermos a enxertia e não é por mera curiosidade. Há um propósito maior, que é o de juntar as melhores características de duas plantas em uma só!

Os principais motivos do uso da enxertia são as doenças de plantas presentes na agricultura, que inevitavelmente tem atacado os pomares em todo o mundo. Certas copas produzem bons frutos em quantidade e qualidade porém, suas raízes morrem prematuramente com o ataque de certas doenças.

A enxertia é uma operação que se pratica nas vinhas plantadas com pés de videira resistentes à filoxera. Esta operação, que permitiu salvar a vitivinicultura europeia em finais do século XIX, e consiste em juntar a um pé de videira devidamente enraizado material vegetativo de uma casta à escolha.

A partir de 1870, a filoxera constituiu-se como a praga mais devastadora da viticultura mundial, alterando profundamente a distribuição geográfica da produção vinícola e provocando uma crise global na produção e comércio dos vinhos que duraria quase meio século.

O vocábulo filoxera é usado indistintamente, tanto para designar o minúsculo inseto, quanto a doença dos vinhedos que é causada pela infestação com ele. De origem norte-americana, a filoxera está hoje presente em todos os continentes, sendo um dos exemplos mais marcantes do efeito humano sobre a dispersão das espécies, já que, em poucas décadas, esta espécie evoluiu de um habitat localizado para uma distribuição global, com uma rapidez que, ainda hoje, não deixa de surpreender.

Enxertando a copa (ou bacelo), em uma base (ou casta) resistente, temos como resultado uma planta produtiva e resistente, minimizando, ou mesmo eliminando os danos causados por doenças de plantas, problemas de adaptação das raízes a condições climáticas e de solo, além de muitas outras possíveis aplicações. A isto chamamos fitossanidade.

A escolha do bacelo tem de atender a dois factores:
  • à natureza do solo onde vai ser plantado;
  • às características da casta na qual vai ser enxertada.
O método de enxertia mais comum é o do garfo simples. Durante o período de repouso vegetativo, inicialmente, faz-se uma limpeza em torno do porta-enxerto para facilitar a operação de enxertia, em seguida, corta-se o tronco da videira eliminando-se a copa a uma altura de 10 cm a 15 cm acima do solo, ficando, assim, um pequeno caule ou cepa.

Abre-se, então, com o emprego de uma navalha de lâmina limpa, uma ou duas fendas, consoante o diâmetro do bacelo, de 2 cm a 4 cm de profundidade, na qual será introduzido o garfo da videira que se deseja enxertar.

Para o preparo do garfo (enxerto), toma-se uma parte do ramo (bacelo) com dois ou três gomos, de preferência com diâmetro igual ao do porta-enxerto. Com canivete bem afiado são realizados cortes rápidos e firmes em ambos os lados, de maneira que o garfo fique em forma de cunha. O comprimento da cunha deverá ser semelhante ao da profundidade da fenda feita no porta-enxerto.


Uma vez preparado o garfo, o enxerto deve ser feito imediatamente, bem encaixado, com as superfícies da fenda e da cunha em contato e então o enxerto é amarrado com ráfia para dar firmeza e coberto com fita para evitar que água ou terra penetre no enxerto.

Para favorecer a soldadura, logo após a enxertia, deve-se cobrir totalmente o enxerto com terra solta, areia ou serragem úmida, não em excesso, para não causar a compactação quando secar. Quando a muda é preparada no local definitivo, crava-se uma estaca ou taquara (tutor) junto ao enxerto, de modo a conduzi-lo até o arame do sistema de sustentação.

Após a pega da enxertia, deve-se acompanhar o desenvolvimento da muda, tomando-se os seguintes cuidados:
  • Mantendo os brotos do enxerto e eliminando-se os brotos que se originam do porta-enxerto;
  • Eliminando emissão de raízes a partir do garfo (enxerto), tais raízes devem ser cortadas;
  • Aliviando estrangulamento na região da enxertia, removendo a fita plástica se necessário e protegendo novamente em seguida, inclusive repondo a cobertura com terra;
Até que se inicie o amadurecimento do ramo. A partir deste estágio, pode-se eliminar a proteção do enxerto e soltar a fita plástica.

Todavia, a principal limitação da enxertia é a sua dificuldade de operação pois é necessária mão de obra qualificada para tal. Seu grau de dificuldade varia de espécie para espécie e o percentual de pegamento (sucesso de sobrevivência) costuma ser muito baixo em algumas espécies, principalmente quando a enxertia não é realizada com perícia nos cortes e os devidos cuidados de acompanhamento. Muito treinamento é necessários para alguém fazer a enxertia de modo competente, o que torna a mão de obra cara.

A Videira e Seus Frutos:

Uma vez que as uvas eram cultura de subsistência na região da Israel antiga, não causa surpresa que o Senhor usasse frequentemente a videira como um símbolo alegórico de seu povo (veja Salmo 80:8-16; Jeremias 5:10; 6:9; Ezequiel 15:1-8; 19:10-14).

As imagens da videira simbolizavam o fracasso de Israel em cumprir as expectativas do Senhor (Oséias 10:1-2). Suas uvas eram selvagens e sem valor, apesar do cuidado do Senhor com sua vinha (Isaías 5:1-7; veja também Jeremias 2:21).

Então, pelo fracasso de Israel a humanidade toda fracassou. Porém, ainda não havia sido nos dado Jesus, a verdadeira videira, cumprindo o chamado e o destino para o Messias Salvador do povo de Deus (João 15:1). De modo que, hoje, todos temos que ser ramos da videira verdadeira, preparada exclusivamente para nos suportar e como tal temos que nos permitir ser enxertados a ela e aceitar as diversas responsabilidades importantes que derivam deste compromisso (veja João 15:1-17), a fim de nos mantermos ligados a ela e dando frutos.

A produção de fruto é a principal responsabilidade da videira, por isso, Jesus assumiu a posição de exortar a nós, os seus ramos, a produzirem muito fruto a deixar a produção desses frutos permanecer em funcionamento. Jesus foi diligente em nos advertir ainda que, para o bom manejo da vinha, os ramos infrutíferos teriam que ser removidos.

Se nós somos os ramos, como eu posso produzir bons frutos, para não tornar a videira improdutiva? Que fruto espera-se que o ramo cristão produza?

Como colaboradores e beneficiários do projeto de Jesus, é importante e necessário, antes de tudo, entrarmos e estarmos continuamente em comunhão, em união com Ele, buscando o Reino de Deus e a sua Justiça, tenhamos certeza que do resto o Pai cuidará, Ele nos limpará, fará tudo para continuemos produzindo, cada vez mais, e melhores frutos.

Nós precisamos, também, ser podados por Deus de vez em quando. Essa poda pode ser dolorida, mas é necessária, para continuarmos crescendo em pureza, em espírito, e devemos aceitá-la com humildade, permanecendo sempre achegados a Ele, glorificando-O e dando os frutos necessários para o Reino.

E Jesus nos adverte, quanto à possibilidade de nos afastarmos da videira. O que acontece quando nos distanciamos Dele? Deixamos de produzir frutos, secamos e Deus não contará mais com a nossa colaboração em seu projeto de salvação. E como ramos secos, seremos, inevitavelmente, para o bem de toda a vinha, cortados.

Estar em comunhão com Jesus, dá sentido a nossa vida, pois sem ele nada poderemos fazer. Jesus deixa muito clara, como o Pai está unido a Ele, e nós a Jesus. Enquanto estivermos ligados a Jesus, ao tronco, recebemos por meio dEle a seiva que vem do Pai, e temos vida, temos amor. Ao nos desligarmos dele, nos distanciamos de Jesus e do amor do Pai, em consequência a vida perde o sentido e, assim como a doença da filoxera entra e mata a planta da videira natural, nós também, nos tornamos vítimas da praga do pecado, secamos e morremos.

Jesus também alertou: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia". João 6:44. Por isso vale a oração:

“Espírito Santo de Jeová Deus, une-me cada vez mais profundamente a Jesus, seu filho tornado videira da humanidade, para que eu possa, assim, ter vida e produzir os frutos que o Pai espera de mim. Como sempre, isso eu te peço no nome de Jesus. Amém!"




Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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