segunda-feira, 19 de março de 2012

É possível se chegar a Deus pela Logosofia ?


A minha resposta consciente é: "Depende daquilo que você mesmo deseja que venha a ser "o seu deus"".

Nas páginas iniciais do seu livro "O Espírito", o autor e fundador da logosofia, o argentino Carlos Bernardo González Pecotchefaz, faz uma advertência, que torna tudo muito claro:

"Felizmente, são muitas as pessoas dispostas a exercer o direito inalienável de ser donas e senhoras de sua vontade, de sua inteligência e de sua sensibilidade; em poucas palavras, capazes de dispor de sua vida e de manter o próprio destino sob a dependência única e exclusiva de si mesmas."

Todos os que concebem um deus qualquer, concebem-no como sendo uma "fonte", da qual se consideram, espiritualmente, "ligados" e "dependentes". A proposta logosófica é simples: "Seja você o seu próprio deus! Não tenha outro deus a não ser o seu próprio "eu", aperfeiçoado"

Poderia existir grandes qualidades na ciência logosofia, se ela se soubesse se ater ao seu real poder objetivo enquanto ciência: "Ajudar os seres humanos, por meio de um processo de evolução consciente que conduz ao conhecimento de si mesmo, a atingir compreensão sobre os seus ESTADOS MENTAIS".

Só isso já seria de grande ajuda, por exemplo, para muitas pessoas que sofrem de distúrbios psíquicos e outros problemas, como por exemplo a doença da drogadicção. Eu juro que, eu mesmo abraçaria a causa logosófica, se ela se mantivesse ao nível do poder terapêutico sócio-comportamental humano, das suas ideias.

Todavia, ao querer ensejar levar o homem ao "conhecimento de Deus", ela consegue ser ainda mais fracassada do que o próprio gnosticismo antigo. Nisto, ela é profícua, apenas, em buscar manter o ser humano, exatamente no mesmo estado, que o mau, ao enganá-lo e faze-lo cair, o lançou há muitos milhares de anos atrás, dizendo: "Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal." Ge 3:5

Assim, por buscar destruir o conhecimento de Deus, a logosofia torna-se, tão somente, a "última moda", proveniente da "fonte" do mau, no milenar processo vem se desenrolando historicamente, de desafio a soberania do verdadeiro Deus, perpetrado desde o princípio, pela "fonte" do próprio mau.

Para o cristão, felizmente, a relação com seu Deus leva a uma especial dependência e obediência a Ele. Denota o reconhecimento da soberania universal desse Deus, bem como a expressão de fé no seu plano dEle nos resgatar da nossa situação de queda e degradação.

Já, enquanto proponente de um "estilo" de relação com Deus, o que a logosofia oferece é uma "feliz permanência" da humanidade naquele estado de queda! É a total falta de fé de que voltaremos a ser transformados à perfeição, pelo poder sobrenatural da salvação da parte de Deus. É, de fato, uma triste conformação com as coisas do mundo!

Observando, além da logosofia, outras inúmeras correntes de filosofia e de ciência distorcidas similares, as quais pretendem, todas igualmente, de modo inexorável, a destruição do conhecimento do verdadeiro Deus, eu passo a sentir na minha própria pele as palavras que Jesus, certa vez, pronunciou:

"Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem" Mt 7: 13- 14.

Se você se considera algo suficiente para se tornar o seu próprio deus, então faça um ótimo proveito da logosofia. Já, quanto a mim, tenho decidido, de consciência própria, me tornar dependente de um Deus maior do que a mim mesmo.

Assim como afirmou Josué, eu reafirmo, de modo absolutamente consciente: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor." Js. 24:15

Este é o assunto que desenvolverei um pouco mais, aqui, nesta mesma postagem, nos próximos dias. Até mais!

domingo, 18 de março de 2012

Os Cristãos Apostólicos e os Gnósticos Cristãos (Uma história de permanente sabotagem!)

“Gnosticismo” é um termo de origem grega que relaciona-se a um “conjunto de correntes filosófico religiosas sincréticas”. Já, por sua vez, o termo “sincréticas”, também originário do grego, refere-se, originalmente, à "coalização dos cretenses", que é uma fusão de doutrinas de diversas origens, seja na esfera das crenças religiosas, seja nas filosóficas.

A origem do emprego do termo “sincretismo”, se deve, muito provavelmente, a Plutarco no capítulo "amor fraternal" no seu "Moralidades", onde comenta que os cretenses esqueciam as suas diferenças internas a fim de, por exemplo, se unir para combater combater um mau maior.

Plutarco foi um filósofo e prosador grego do período greco-romano, que estudou na Academia de Atenas, e que viveu no período de 46d.C. até 126 d.C.. Ele foi um discípulo de Ammonius de Lamprae, um filósofo peripatético com profundo conhecimento de religião.

A Academia de Atenas (antiga) não deve ser confundida com a Academia de Atenas (atual), fundada em século passado, mais precisamente em 1926. A Academia de Atenas original foi fundada por Platão, aproximadamente em 387 a.C.. Por isso ela é também conhecida como Academia Platônica (ou de Platão) e estabeleceu-se nos jardins localizados no subúrbio de Atenas, consagrados à deusa Atena e que tradicionalmente haviam pertencido ao herói grego de nome Academo (de onde provem o termo “Academia”).

Por seu turno, "Peripatético", também do grego, é a palavra que designa 'ambulante' ou 'itinerante'. Peripatéticos (ou 'os que passeiam') eram os discípulos de Aristóteles, em razão do hábito do filósofo de ensinar ao ar livre, muitas vezes caminhando, enquanto lia e dava preleções, por sob os portais cobertos do Liceu de Atenas, conhecidos como “perípatoi”, ou sob as árvores que o cercavam. O Liceu de Atenas foi fundado por Aristóteles em 336 a.C., ou seja, aproximadamente 50 anos após Platão ter fundado a Academia de Atenas.

Aristóteles havia, então, abandonado a instituição que lhe formara, a Academia de Platão e, em moldes semelhante aos daquela Academia, fundou Aristóteles sua própria instituição, a que batizou de Liceu. Todavia, o Liceu sempre teve uma orientação essencialmente empírica (científica não religiosa), em oposição à Academia platônica, sempre muito mais especulativa. Tal característica se acentuou, ainda mais, quando Teofrasto assume a direção do Liceu, após Aristóteles.

O empirismo é descrito e caracterizado pelo conhecimento científico, técnico e tecnológico. Após a inauguração do Liceu, a Academia, por seu turno, passa a se orientar, ainda mais, de modo especulativo, se ocupando, basicamente, de estudos filosóficos religiosos, de modo que os termos “sincrético” e “sincretismo” são cunhados no âmbito desses estudos.

Então, voltando ao termo “sincretismo”, ele denota “agir como os cretenses agiam”, ou seja, unir coisas dispares, apesar das diferenças que tais apresentem, em favor daquilo que é semelhante (pretendendo denotar como os cretenses eram unidos antes das diferenças cretenses surgirem).

Apesar de a ilha de Creta, localizada no sul da Grécia, no mar Egeu, ser a maior ilha grega, ela tem uma área pouco menor que uma milésima parte do território do Brasil. Acredita-se que a ilha de Creta Creta esteve habitada desde a Pré-História, com vestígios de populações sedentárias desde o período neolítico.

No começo da Idade do Bronze, os cretenses criaram, ainda no 3° milênio a.C., uma grande civilização insular, calcada na chamada “cultura minóica”. Aquela civilização construiu palácios em Cnossos, em Festos, em Maliá e na localidade posteriormente conhecida como Santa Trindade – palácios cujas ruínas ainda hoje são vistas. Alguns séculos mais tarde, esta civilização irradiou para outras regiões do Mar Egeu, incluindo a Grécia continental.

A partir da primeira metade do 2º milénio a.C., Creta chegou a ser o centro cultural e comercial (graças ao domínio que a sua frota, dotada de homens grandes e fortes, estabeleceu no acúmulo de riquezas conquistadas e no comércio de produtos como o vinho, o azeite, as cerâmicas, os tecidos e a joalharia, e impôs no Mar Mediterrâneo, quer nos territórios vizinhos quer em locais mais afastados, como a Sicília), nas regiões da Idade do Bronze no Mediterrâneo Oriental, com a denominada "cultura do Egeu".

O seu predomínio terminou c. 1400 a.C., quando a ilha foi ocupada militarmente pelos aqueus. No século IV a.C. as cidades da ilha experimentaram guerrear entre si e no ano 67 a.C., depois de entrarem em conflito com os romanos, estes conquistam e saquearam a ilha, comandados por Quinto Cecílio Metelo.

Toda essa sucessão de eventos foi responsáveis por desenvolver uma forte cultura de “responsabilidade social” na população da ilha. Os cretenses, facilmente, abriam mão de toda e qualquer diferença entre eles, a fim de se unirem e defender os interesses coletivos de sua pequena, porém dotada de um povo forte e orgulhoso, ilha. Todavia, essa cultura passou a ser ameaçada, quando principiou o cristianismo, a penetrar na meio da população cretense, pois o cristão não é transigente em negociar com princípios e valores que norteiam a sua fé, como o eram os demais cretenses.

Da filosofia sincrética é que se origina um termo bastante utilizado em nossos dias atuais, que prega que “Tudo estará bem, enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que aqueles que nos afastariam”.

Este termo é muito empregado, notadamente, no âmbito das irmandades de ajuda mútua, como A.A. e N.A. (respectivamente alcoólicos, e narcóticos anônimos), de onde se crê no poder terapêutico de que, “é focalizando nossas semelhanças, e não nossas diferenças, que ajudamos uns aos outros”.

Na história das religiões, o sincretismo é uma fusão de concepções religiosas diferentes ou a influência exercida por uma religião nas práticas de uma outra religião.

Deste modo, o “gnosticismo”, chegou, vias de fato, a adaptar-se, a mudar-se consoante o meio, em função do cristianismo, ainda nos primeiros séculos de nossa era. Mas, visto que tal processo é sempre uma via de mão dupla, para efetivamente ocorrer, os cristão eram também, instados com intensidade, a aceitar adaptações em suas crenças e valores, a fim de completar o mimetismo buscado pelos gnósticos.

Após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos, visto que, a fidelidade para com as suas crenças, historicamente herdada do judaísmo, foi desde sempre uma questão fundamental para o cristão, posteriormente, o gnosticismo veio a ser declarado como um pensamento herético e, tal sincretismo, passou a ser combatido pelas autoridades eclesiásticas da igreja de então, culminando, inclusive, com o fechamento definitivo da Academia Platônica, em 529 d.C., a mando do imperador Justiniano.

De fato, pode falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo. Deste modo, o grupo autodenominado “Cristãos Gnósticos” constituíram, desde os primeiros séculos da era d.C., uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas de Jesus, o Cristo, apresentando, segundo a própria visão da cultura filosófica, um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que daqueles cristãos que ficaram conhecidos como a ortodoxia.

Dentre os grupos mais ativos nos dois primeiros séculos de nossa era destacam-se os naassenos (palavra em aramaico com o mesmo significado de ofitas, de origem grega), setianos (de orientação judaica), docéticos (que propunham que a natureza exterior do Cristo era ilusória), carpocracianos, basilidianos e valentianos. Assim, bem cedo na história do cristianismo, antes mesmo do fim do primeiro século, começou-se a estabelecer o contraposição entre cristianismo apostólico e cristianismo agnóstico, haja vista que, a tão sonhada miscigenação unificadora entre ambos nunca se realizou, mas, sim, de um modo geral, uma parcela de conversos cristãos apostólicos era reconvertida ao cristianismo agnóstico, sendo que, até os dias de hoje, a segunda conversão exclui a primeira.

O conjunto de correntes filosófico religiosas sincréticas do Gnosticismo é bastante complexa e eu não tenho a intenção de me alongar muito ao expor sobre isso, mas alguns conhecimentos mínimos são necessários, de modo que gastarei não mais que seis parágrafos tentando explicá-la, segundo os próprios autores gnósticos. Alguns desses autores fazem uma distinção entre os termos "gnoses" e "gnosticismo".

Segundo os próprios autores gnósticos, a “gnose” é “uma experiência baseada, não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração”. Já, para os mesmos autores, o “gnosticismo” é a “visão de mundo baseada na experiência de Gnose”, que tem por origem etimológica o termo grego gnoses, que significa "conhecimento".

O conceito de que algo tão grandioso como o Reino de Deus está no coração — por exemplo, tendo o poder de mudar e enobrecer a pessoa —, pode parecer atraente, mas será que isso realmente faz sentido? Nesse conceito, diferem notadamente os gnósticos dos cristãos apostólicos, que acreditam que “O coração é mais traiçoeiro do que qualquer outra coisa e está desesperado. Quem o pode conhecer? Eu, Jeová, esquadrinho o coração, examino os rins, sim, para dar a cada um segundo os seus caminhos, segundo os frutos das suas ações”. Je 17:9,10. “Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração.” Sl 37:4. Alguns acreditam que o próprio Jesus foi o primeiro a promover o conceito de que o Reino de Deus está no coração das pessoas. Na verdade, ele disse: “Eis que o reino de Deus está no vosso meio.” Lc 17:21. Mas alguns tradutores verteram esse texto assim: “O reino de Deus está dentro de vocês” ou “dentro de cada um”.

Ainda segundo os autores gnósticos, o conhecimento, a que se refere, “não é racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria, usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração.”

Aqui, mais uma vez vemos gritar diferenças, pois, o gnóstico não busca, essencialmente, ao Deus dos cristãos, ao Deus da promessa de Abraão, de Isaque e de Jacó e ao seu messias, Jesus Cristo. Eles buscam, tão somente, terapias psico comportamentais, ou seja, o que dá sentido a vida, essência eterna e, mais uma vez, a via de concretização disso é o falho e traiçoeiro coração humano. A fé no sacrifício resgatador do Senhor Jesus parece ser, mais uma vez, simplesmente evitada. Todavia, o Espírito santo de Deus só poderá habitar o coração de alguém que antes, creu e foi remido. A intimidade com o Espirito é uma graça que advém de nossa justificação perante Deus.

Historicamente, é possível se verificar que o gnosticismo já vinha sendo formatado até mesmo antes da era cristã e trazia como base uma já bastante variada gama de elementos das filosofias e ocultismos que floresciam na Babilônia, no antigo Egito, na Síria e na Grécia antiga, combinando, ainda, elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas como os do Elêusis, do Zoroastrismo, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo (Cabala).

Num texto hermético, lê-se que a gnoses da mente é a "visão das coisas divinas". Já, no início do século XX, o membro da Sociedade Teosófica (gnóstica) George Robert Stowe Mead acrescentou que "gnoses não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de Deus". Para ele, este é o grande objetivo, “conhecer Deus, a realidade em nós”. Segundo ele, não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da mente individual com a mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina".

Seria então o Deus dos cristãos tão somente “a realidade em nós mesmos” ? Decerto que não! Então eu constato que nós cristãos e os gnóstico, nada temos em comum. Nem ao menos adoramos a um mesmo Deus, muito embora, os atrativos gnósticos tenham, ao longo da história, logrado exito em apostatar alguns cristãos.

No complicado mundo em que vivemos, precisamos tomar muitas decisões que envolvem nossa obediência a Deus. Como podemos ter certeza de que essas decisões se harmonizam com a sua vontade? Jeová nos deu uma dádiva que pode nos ajudar muito na questão da obediência. É a consciência. O que é consciência? É um tipo especial de autoanálise. Ela age como juiz interno, habilitando-nos a analisar as escolhas com que nos deparamos na vida, ou a avaliar se as ações já tomadas são boas ou más, certas ou erradas. (Rom. 2:14, 15).

No entanto, a nossa consciência tem também as suas limitações. Por exemplo, se dermos excessivo valor aos desejos do nosso coração, nossas tendências egoístas poderão aflorar e distorcer a nossa consciência. (Jer. 17:9) Se não confiarmos, antes de tudo, na correta e imutável orientação da Palavra de Deus, a Bíblia, a nossa consciência poderá se tornar a bem dizer inútil. — Sal. 119:105 “Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”. Pv 4:23.

Mais uma vez, segundo os autores gnósticos, a “posse da Gnoses” significa a habilidade para receber e compreender a revelação. O verdadeiro gnóstico é aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende a revelação exterior ou pública velada. Ele não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as “manifestações do mundo interior” são mostradas e tornaram-se inteligíveis. “O início da perfeição é a Gnoses do Homem, porém a gnoses de Deus é a perfeição aperfeiçoada”. "Aperfeiçoamento" é um termo técnico para o desenvolvimento na gnoses, sendo o gnóstico realizado, conhecido como o "perfeito", "parfait".

Repare, mais uma vez, que os gnóstico preferem o uso da expressão “manifestação do mundo interior” do que “manifestação do mundo espiritual”. Manifestação do mundo espiritual remete nos, de um ponto dentro do homem, para fora deste e além, para o céu, para o universo da criação de Deus, e, por fim para a parte desse universo que é imaterial, ao passo que, manifestação do mundo interior, sugere aquilo que é limitado ao “eu”, ao coração e / ou a mente de um único e determinado homem!

As disparidades de crenças e valores são de tal modo tremendas, que chega ao ponto de eu considerar inadequado, até mesmo, o uso do termo “cristãos agnósticos”, sendo mais correto e justo o uso da designação, “agnosticismo cristão”, que é uma religião com a qual o verdadeiro cristianismo (o apostólico), não tem que ter parte alguma.

Portanto, fica claro que não há apoio bíblico para o conceito de que o Reino de Deus está no coração das pessoas. Em vez disso, ele é um governo real, que virá e fará mudanças reais na Terra e na humanidade, assim como predito pelos profetas. O ensino equivocado de que “o Reino está literalmente dentro das pessoas” é resultado do fato de o cristianismo apostólico ter sido, historicamente, sempre sabotado pelo pensamento do gnosticismo cristão.

terça-feira, 13 de março de 2012

CPI do Banestado: Quando o PT do Lula perdeu sua grande chance! (Entenda o que foi "Um dos Maiores Golpes Econômicos da História do Brasil")


Ao assumir as rédeas do poder executivo federal em 2003, o PT - Partido dos Trabalhadores - fez uma opção pela continuidade, e não pela ruptura com os antigos regimes, enterrando a CPI do Banestado.


Apesar de ter sido o governo Lula o responsável por enterrar a CPI do Banestado, de fato, foi a cúpula do governo Fernando Henrique Cardoso, notadamente de alguns senhores instalados no BC, na época, quem abafou as denúncias dos ilícitos do Banco Araucária, que pertenceu (mas não pertencia) ao Sr. Jorge Bornhausen.

Um fato que chama muito a atenção é:

Como esse banco conseguiu praticar centenas de atos ilícitos sem ter sido punido? Embora tenha construído inúmeras formas para praticar crimes de lavagem e se especializado em evasão de divisas, esse esquema não funcionaria sem a anuência dos órgãos de fiscalização, principalmente o Banco Central (BC).

Mesmo com inúmeros processos e relatórios feitos por funcionários interessados em combater a criminalidade financeira, forças “ocultas”, vindas de escalões superiores do BC, impediam o prosseguimento de tais instruções e ainda presenteavam o Araucária com novas benesses, como a autorização especial para operar com contas CC5. Por que um pequeno banco tinha tanta influência na direção do Banco Central?

Depois de muito dinheiro rolar para o exterior – como demonstra a movimentação de uma única conta na Finambrás (corretora), onde corria cerca de US$ 3 milhões por dia, com picos de US$ 5 milhões – o Banco Central resolveu abrir inúmeros processos contra o Araucária. Diante de muitas resistências, alguns deles chegaram a percorrer 5 anos nos porões do BC sem que houvesse alguma condenação.

O destaque principal fica por conta do processo nº 9400371755, aberto em 1994, onde alguns auditores sérios do BC apontaram inúmeras irregularidades. Esse processo demonstrava cabalmente que haviam sido cometidos crimes de evasão de divisas pelo banco Araucária juntamente com o banco paraguaio Integración.

Os técnicos do BC foram enfáticos em solicitar a seus superiores, durante o ano de 1995 – diante da gritante prática de crime – a expressa paralisação do esquema montado pelo Araucária/Integración. A providência tomada pelo BC foi inversa, isto é, não só manteve o Araucária operando como mandou suspender a tramitação do processo.

Um ano depois, veio o prêmio. Juntamente com instituições de grande porte, como Banestado e Banco do Brasil, o Araucária – que apenas possuía duas agências – foi “regalado”, em 2 de maio de 1996, com a autorização especial para operar com contas de depósitos de domiciliados no exterior, as chamadas CC5.

Sendo um banco relativamente pequeno, para não dizer de fundo de quintal, o fato de ter tanto poder dentro do Banco Central espanta qualquer filho de Deus. Onde o Araucária encontrou todo esse poder, se Alberto Dalcanale, o presidente formal da instituição, não tinha tantos amigos no cerne do governo? Seria pelo fato de Alberto Dalcanale ser sobrinho de Paulo Konder Bornhausen, o famoso PKB, considerado gourmet de primeira, cozinheiro preferido de Fernando Henrique? Ele chegou a ser sócio formal do banco até 1995. PKB, irmão mais velho do senador Jorge Bornhausen, é casado com a tia de Alberto.

Se Alberto Dalcanale não tinha nenhuma ligação com o governo, o mesmo não pode ser dito sobre os Bornhausen, suspeitos de serem os verdadeiros controladores do Araucária. Tanto que, em 2003, Paulo Konder Bornhausen e os ex-dirigentes e ex-sócios do banco Araucária foram denunciados à Justiça Federal em Curitiba (PR) por operações de lavagem de dinheiro entre 1994 a 2000. Segundo os procuradores que ingressaram com o processo, em 1995, ano em que PKB ainda se mantinha formalmente na sociedade do banco, “cerca de R$ 5,5 bilhões foram movimentados para o exterior por meio de laranjas e do Araucária”.

Ou seja, não precisa ser nenhum especialista para perceber que existem indícios monumentais de que o banco Araucária possuía um lobby poderoso agindo na cúpula do Banco Central, no período de Fernando Henrique, para que seus ilícitos fossem acobertados. Mais ainda: somente esse lobby pode explicar o fato do Araucária receber a autorização para atuar com contas CC5. Não é à toa que o sobrinho do “tio” permaneceu intocável por quase uma década.

Esta é a história de um banco de fundo de quintal, chamado Araucária, que se tornou uma das maiores lavanderias de dinheiro e de evasão de dinheiro sujo da História do país. O fato do senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, jurar que o banco não é dele, nem de sua família, deu origem ao nome da série da série de reportagens: “O banco que não era da família Bornhausen”, do jornal a Hora do Povo, de onde compilei parte das informações aqui expostas.

Mesmo sendo difícil detalhar em poucas páginas toda a história de irregularidades, mostrou-se indícios e provas encontradas pelas investigações concluídas no âmbito do Congresso Nacional, do Banco Central e do Ministério Público de que o banco Araucária praticou corrupção através das contas CC-5, fraudou documentos, realizou operações ilegais no mercado paralelo de dólares, mandou dinheiro irregular por meio do banco Integración (Paraguai), tinha um caixa 2 no banco Surinvest, realizou operações fraudulentas com títulos públicos, participação em licitações dirigidas, tornou-se o representante do banco Opportunity no Paraná para operar com contas proibidas para brasileiros (as chamadas Anexo IV) e fez movimentações irregulares com os bancos Marka e FonteCindam.

E quanto a pergunta que nunca calou: Por que um pequeno banco tinha tanta influência na direção do Banco Central? É claro que com a interferência de pessoas que estavam dentro governo, ou melhor, no comando do governo.

Durante anos, as instâncias responsáveis pelas investigações sofreram pressão para que os trabalhos não prosseguissem. Isso rendeu fôlego para os envolvidos contarem com o esquecimento e com a impunidade. Esse chegou a ser um dos principais motivos para que uma CPMI, a do Banestado, tenha acabado, já pelas mãos do comando petista, sem um relatório final (o que só veio a acorrer na prática, em meados de 2010), ou seja, para que os verdadeiros envolvidos em casos de corrupção com dinheiro público ficassem sem julgamento, sem condenação.

Como afirmei no artigo anterior: Da parte do governo do PT, bastava um tiro, um único e certeiro, todavia este não foi dado. Isso para mim foi algo imperdoável, e bastou, fazendo com que eu, firme apoiador do PT desde o seu início e filiado desde 1985, deixasse de acreditar no partido como uma entidade digna de resolver os grandes problemas nacionais e, totalmente descrente do mundo da política, me tornasse um eleitor NULO desde 2004.

Atenção: Este quadro se encontra desatualizado, desde a data da postagem deste artigo e, certamente, apesar de verdadeiro, ele não expressa a realidade dos últimos anos, que, espera-se, os leitores tenham o seu próprio conhecimento para análise.

O Brasil perdeu, como sempre, mas eu me tornei livre! Todavia, há que se considerar coisas positivas: As transferências internacionais de reais, efetuadas por meio de créditos e débitos realizados em contas de não residentes, as famigeradas conhecidas “contas CC5”, não puderam mais ser realizadas no interesse de terceiros, inclusive pelas contas de instituição financeira residente ou domiciliada no exterior. Assim, somente recursos próprios de não residente, depositados nessas contas, podem ser livremente convertidos em moeda estrangeira para remessa ao exterior, o que tem coibido os abusos. Enfim, é possível considerar que, até o presente momento, a instituição do RMCCI - REGULAMENTO DO MERCADO DE CÂMBIO E CAPITAIS INTERNACIONAIS, tem sido um excelente passo.

Não obstante, observa-se que a persecução aos crimes contra o sistema financeiro continua, de maneira inequívoca, muito aquém dos delitos perpetrados quotidianamente.

Votar Nulo resolve? Talvez não, mas é, sobretudo, um direito de escolha que me compete. Política é escolha. E o voto nulo é uma escolha como qualquer outra. Existe a possibilidade jurídica de se anular uma votação como um recado claro de que já sabemos que não nos adianta apenas eleger. Que queremos fiscalizar, que queremos o fim da impunidade de crimes do sistema financeiro contra nós, afinal, no fim dos trâmites regulares, é sempre quem trabalha e produz que acaba pagando as contas. De modo que eu quero justiça acima de governabilidade, quero poder retirar o poder de quem me enganou para poder se eleger, quero voto não obrigatório, quero poder eleger candidatos, mesmo independente dos partidos.

O resultado do referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições, ocorrido no Brasil a 23 de outubro de 2005, que não permitiu que o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento fosse efetivado, foi uma outra grande decepção para mim, mas eu continuo acreditando no regime democrático e no estado de direito, mesmo diante de tantos problemas e absurdos persistentes, na sua grande maioria, realizados e mantidos pelos grandes interesses econômicos, mesmo sob democracia e sob um poder judiciário viciado, no qual ainda sobrevive a lei do mais forte.

sábado, 3 de março de 2012

Breve História do Cristianismo, da Judeia para Roma e para o Mundo


De fato, não houve grande interferência direta do governo de Roma contra o cristianismo, desde a morte do Senhor Jesus, em 29 d.C. até que o imperador Nero veio a se tornar o primeiro perseguidor romano de cristãos, acusando-os de terem provocado o incêndio de Roma, no ano 64 d.C.

Nesse nada curto período de tempo, que durou cerca de 35 anos, a perseguição contra os cristãos era exercida, essencialmente, pelos judeus. Todavia, quanto mais alastrada e intensa se tornava a perseguição judaica contra os cristãos, por todo império romano, o cristianismo também se alastrava e se fortalecia, ainda mais.

Até se tornar também um cristão, o notável apóstolo de Jesus, Paulo, antes chamado de Saulo de Tarso, um dos principais servidores do sumo sacerdote do Sinédrio que havia condenado Jesus, Caifás, havia sido qualificado como um dos mais zelosos perseguidores de Cristãos. A sua conversão foi resultado de uma fracassada tentativa dele se deslocar desde Jerusalém até a distante cidade de Damasco, a fim de trazer cativo um grupo de cristãos, que se encontravam naquela localidade Síria. Algum tempo antes, Paulo havia participado do martírio do cristão Estevão, e possivelmente, participou também, do martírio de outros cristãos, talvez menos notórios, e não mencionados na Bíblia.

Os judeus manipulavam, com uma certa maestria, as estruturas administrativas locais do Estado romamo. Ao contrário do Estado grego, seu antecessor, que havia sido marcadamente especulativo, o romano era jurídico por excelência. Sem a conivente autorização dos romanos, os judeus não poderiam ter perseguido os primeiros cristão, nestas primeiras três décadas e meia.

Para os judeus, o cristianismo havia nascido como uma seita indesejável, que se desenvolvia no seio do próprio judaísmo. O próprio Jesus, autor e consumador da fé cristã, era, para os judeus, como provável messias, uma grande decepção, que frustrava de modo contumaz as suas circunstanciais expectativas.

As relativas autoridades judaicas da época, esperavam por alguém com uma outra aparência e poder, para ser o líder que libertaria a região da Judeia da dominação romana, um rei poderoso que lideraria, politicamente, os judeus rumo à independência. Contudo, por ser Jesus como era, e se parecer apenas, não mais do que um simples profeta, como muitos dos que já haviam sido, anteriormente, desprezados, os judeus preferiam considerar que Jesus era, tão somente, um blasfemo, e não o messias que ele se autodenominava perante eles.

Como ele apenas pregava a paz, o amor a Deus e ao próximo e a remissão dos pecados, pregando, quase que exclusivamente, para algumas multidões das camadas sociais mais baixas da Judeia, as autoridades romanas não lhe deram grande importância e o consideraram, apenas, como um simples agitador popular, menos importante até, do que um ativista zelote qualquer, os quais, com entusiasmo, rebelavam-se contra o império romano com desejo de expulsá-lo pela força das armas. Todavia, com o período que se iniciou desde a morte de Jesus, foram as relativas autoridades judaicas que, com o mesmo entusiasmo, não deram trégua alguma em perseguir severamente os cristão, e de modo terrível, sempre com a conivência administrativa romana da localidade.

As circunstâncias em que Jesus Cristo, já adulto, teria surgido na cidade de Jerusalém formavam um quadro altamente explosivo, pois, de fato, a Judeia jamais se submetera totalmente ao controle do domínio imperial romano, ocorrendo frequentes sublevações, levando o Estado dominador a uma postura de ações puntuais mais repressivas, em relação à população local, do que aquela que ele praticava em outras regiões mais complacentes com a dominação do império.

Lendo-se os livros apócrifos de Macabeus I e II é possível se constatar que não houve intervalo algum entre o fim da dominação grega e o inicio da dominação romana sobre a região da Judeia. Houve, sim, simplesmente uma substituição imediata de domínios, de modo que os judeus vinham reagindo, mesmo desde antes do início da dominação romana, ainda sob o domínio grego, por meio de movimentos armados, contra a presença imperial estrangeira.

Em 175 a.C., Antíoco IV Epífanes chegou ao trono do império grego Selêucida e iniciou uma campanha de assimilação contra os habitantes da Judeia. Num esforço de unificar os elementos Gregos do seu império, Antíoco determinou a destruição da fé Judaica e a helenização dos Judeus. Um Édito foi publicado impondo os rituais religiosos aos Judeus em Jerusalém, sob pena de morte.

O sacerdote Matatias, recusou publicamente a adotar o helenismo, e iniciou uma revolta, escapando de Jerusalém, primeiramente para a aldeia de Modin, e depois para o deserto, levando consigo outros combatentes. Com a morte de Matatias, seus filhos Judas, cognominado "macabeu", e depois da morte deste, Jônatas, assumem a liderança do movimento de revolta e conseguem importantes conquistas e impõem uma certa liberdade a Israel frente à dominação grega e acabam por conseguir restabelecer o culto, purificado e dedicando novamente o Templo de Jerusalém, em 165 a.C..

Todavia a história do livro de Macabeus é bastante clara em mostrar que foi apenas após uma aliança ocorrida entre os macabeus e os romanos, uma aliança defensiva contra os gregos com o senado romano, que permite expelir definitivamente os invasores helenistas o que põe um termo, ao movimento guerrilheiro liderado por Judas Macabeu, filho de Matatias, e de seus irmãos. Paralelamente a isso, ocorria que do ponto de vista militar, a Grécia havia entrado num declínio tal, que os romanos conquistaram todo o seu território, de 168 a.C. em diante, ainda que, em contrapartida, a arte, a cultura e a religião grega, é que houvessem, de fato, conquistado os romanos.

Na Judeia, sucedendo ao terceiro irmão Macabeu, Simão, encontramos o filho deste, João Hircano, que consolida o poder em suas mãos realizando ainda mais alianças com Roma e outros impérios de sua época. Esta dinastia, a dinastia da casa de Matatias, conhecida como "os asmoneus", passa governar a Judeia. Para Governar, João Hircano e seus sucessores, usurpam tanto o título de etnarca como o de sumo-sacerdote. Os assideus, alarmados com as ambições dos Asmoneus e com o caráter secular que assume o seu reinado, rompem com eles. Segundo este grupo, ao se fazer sacerdote sem possuir o direito de família os Asmoneus cometem uma terrível falta. Isto gerou a ruptura profunda entre os descendentes dos Assideus (fariseus e essênios) e o partido ligado aos asmoneus (saduceus), os três partidos judaicos que então se formam.

Não obstante ao fim do domínio do helenismo grego sobre a Judeia, as diversas controvérsias entre os partido judaicos, agravado por dissidências internas, de continuo mantinham os judeus enfraquecidos como nação e o seu reino, agora sob o permanente olhar rapinante da águia romana. A questão a ser levantada é: O que o povo judeu poderia ter em haver com a politeísta idolatria estatal romana, que não fosse a mesma coisa que tivesse em haver com o panteísmo helênico dos gregos?

A Roma cuja fama empolgara os macabeus, levando-os a buscar a  buscar com ela um pacto sem consultar a Deus (ver Capitulo 8 do livro apócrifo I Macabeus), agora era o que se tornava em ameaça maior. O fato é que, em 64 a.C., em meio a um novo acirramento das disputas internas dos judeus, o general romano Pompeu marchou com suas tropas, invadiu e conquistou Jerusalém e fez do débil reino judeu um estado vassalo de Roma.

Entre 57 a.C. e 55 a.C., Aulo Gabínio, procônsul da Síria, dividiu o antigo reino em Galileia, Samaria e Judeia, com cinco sinédrios (côrte de juízes). Em 40-39 a.C. Herodes, o Grande foi apontado Rei dos Judeus pelo senado romano, no entanto em 6 d.C. seu sucessor e filho, Herodes Arquelau, etnarca da Judeia, foi deposto pelo imperador romano Augusto.

A deposição de Herodes Arquelau (4 a.C. - 6 d.C.) como governante do reino a Judeia, foi o primeiro grande acontecimento histórico envolvendo o povo judeu, após o nascimento de Jesus e a frustrada tentativa daquele rei, de eliminar a vida de Jesus, enquanto Jesus ainda era pequeno, por ordenar a matança dos inocentes referida nos evangelhos. Mas o messias sobrevivera, porquanto Deus havia escolhido o momento perfeito para a sua vinda.

O cruel e despótico Arquelau, foi banido para a Gália e os territórios que ele antes governava, a Judeia e a Samaria, foram anexados à administração romana direta, estabelecida em Cesareia, enquanto que em Jerusalém, foi sediado um destacamento militar sob o comando de um tribuno, aquartelado na Torre Antônia, no ângulo nordeste do Templo.

Esse fato marcou o fim de Judá como um reino, mesmo que apenas teoricamente independente, e mostraram ainda que, as promessas da aliança entre Roma e os Macabeus, jamais se cumpriram, de modo efetivo, simplesmente porque, muito embora Judas Macabeu tivesse ficado deveras impressionado com os relatos que ouviu, sobre a grandeza daquele império diante das nações do mundo, ele, por infelicidade, perdera o olho singelo, por não ter buscado consultar ao Senhor Jeová sobre um assunto tão importante, de modo que a aprovação de Deus, jamais esteve presente naquela aliança, muito embora, quisesse Roma ou não, gostasse ela ou não, daquela ocasião em diante, ela passaria a ter uma participação mais ativa, no contexto dos planos de Deus.

Anos mais tarde, um dos irmãos de Arquelau, Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, foi o responsável pela prisão do profeta João Batista, e, posteriormente, também pela sua morte, por causa de Herodias, a ex-mulher de um outro seu irmão, Herodes Filipe. Herodias, por ambição de se tornar rainha deixara o marido para viver com Antipas em 27 d.C. e por isso era censurada por João Batista. Ardilosamente provocado á lascívia por sua sobrinha Salomé, a mando da mãe, Herodias, durante o festejo da celebração de seu próprio aniversário, Antipas acabou por concordar em executar a morte João Batista, a quem já mantinha em cárcere. João o Batista era seis meses mais velho que Jesus e seu primo, consanguíneo, em segundo grau.

Foi em meio a esse clima politicamente tenso que Jesus procurou exprimir uma mensagem baseada no amor ao próximo, no perdão às ofensas e no desapego aos bens materiais. Tal mensagem em nada ameaçava o domínio romano, mesmo porque, segundo os evangelhos, Jesus sempre enfatizou que a sua pregação nada tinha de política, e que o reino a que ele se referia, não era um reino terrestre.

No entanto, assim como as autoridades romanas buscavam formas de fazer agrados para com as corrompidas autoridades judaicas, também a recíproca precisava ser verdadeira. A tolerância romana quanto a liberdade de culto judeu no templo de Jerusalém, precisava ser compensada com os judeus dando lugar a liberdade de cultos estrangeiros em suas cidades. Por isso, de um lado, Antipas, homem de ânimo doble, fazia concessões à cultura dos gentios romanos, mas por outro cultivava a tradição religiosa judaica, deslocando-se, anualmente, de Tiberíades para Jerusalém, onde participava das festividades da Páscoa (Pessach). Desde modo foi que Jesus, já adulto, irritado, encontrou o templo profanado, enquanto casa de oração para todas as nações.

Tiberíades, foi mandada construir por Herodes Antipas, em homenagem ao imperador romano Tibério , exclusivamente para ser a capital da Galileia e sua construção foi acelerada, por contribuições romanas, sendo concluída em apenas dois anos. O historiador judeu Flávio Josefo escreveu sobre a população original de Tiberíades, com evidente desprezo, pela gente que Antipas implantou ali, vinda de todas as partes do império.

A dominação romana da Judeia, apesar de aparentemente tolerada pelas autoridades relativas judaicas, como fato estabelecido e consumado, continuava sendo, no fundo, algo extremamente detestável à consciência judaica da época de Jesus. No entanto, uma dissidência dentro da própria religião do judaísmo, como aquela a que se aparentava a pregação de Jesus, e ainda trazendo o desalento da decepção com respeito às expectativas sobre do messias pela ótica judaica de então, era algo ainda mais abominável àquela mesma consciência.

Já, para os romanos, o conturbado caráter político da região da Judeia, aliado à característica postura romana de combater sistematicamente o surgimento de toda e qualquer grande liderança que pudesse vir ofuscar o predomínio do Império, poderiam fazer de Jesus, um inimigo potencial para Roma. Todavia, o fator realmente preponderante, foi a atitude comum do Estado romano, de procurar, sempre, aliar-se às elites das áreas dominadas, utilizando-as como um elemento de controle sobre os setores populares.

Tal atitude significava mais do que simplesmente a manutenção do império, pois provia um instrumento adequado de expansão do mesmo. Dessa forma, a condenação imposta a Jesus pelos romanos foi, de fato, um ato de simpatia para com as autoridades religiosas judaicas, que já o haviam repudiado como blasfemo.

Segundo os Evangelhos, Jesus foi preso não pelos romanos, mas sim, pelo judeu e amigo Judas, acompanhado de um destacamento de soldados e dos oficiais dos principais sacerdotes e dos fariseus, com tochas, lâmpadas, e armas. A gota d'água, para Caifás e outros dos principais senhores do sinédrio, já havia sido a ocasião da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um singelo jumentinho, sob as saudações de vivas do povo, clamando "Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o reino que vem, o reino de nosso pai Davi! Hosana nas alturas!". Tendo Jesus entrado em Jerusalém, foi ao templo.

Assim Jesus foi levado, detido, para interrogatório. Todavia as autoridades judaicas sabiam não poder condená-lo por si sós e nem ao menos detê-lo, por muito tempo, sem que houvesse um tácito, porém manifesto, consentimento por parte da administração romana.

Com urgência, as autoridades judaicas, ora virtualmente submissas às leis romanas, encaminham o detento Jesus ao governador Romano, sob acusações de blasfêmia. Numa sequência de eventos aparentemente tumultuadas, porém manobrada pelas autoridades judaicas, Jesus foi entregue a tortura, a mando do procurador romano Pôncio Pilatos e por fim, ainda por instância dos judeus, Jesus foi condenado à morte por cruz (ou por estaca) no ano de 29 d.C.. A morte de Jesus foi executada pela administração romana, pois as autoridades judaicas relativas, não tinham poder de executar sentenças de morte em seu próprio território, por estarem sob o governo romano.

O apóstolo e médico Lucas é quem narra com maiores detalhes os fatos ocorridos, no capitulo 23 de seu escrito evangélico:

"E levantando-se toda a multidão deles, conduziram Jesus a Pilatos. E começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo ser ele mesmo Cristo, rei. Pilatos, pois, perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes. Então disse Pilatos aos principais sacerdotes, e às multidões: Não acho culpa alguma neste homem.

Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judeia, começando desde a Galileia até aqui. Então Pilatos, ouvindo isso, perguntou se o homem era galileu e, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes (Antipas), que também naqueles dias estava em Jerusalém (para a ocasião da festividade da páscoa).

Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por ele e fazia-lhe muitas perguntas; mas ele nada lhe respondeu.

Estavam ali os principais sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência. Herodes, porém, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos. Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos; pois antes andavam em inimizade um com o outro.

Então Pilatos convocou os principais sacerdotes, as autoridades e o povo, e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como pervertedor do povo; e eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais; nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar; e eis que não tem feito ele coisa alguma digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei. [E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.]

Mas todos clamaram à uma, dizendo: Fora com este, e solta-nos Barrabás! Ora, Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio. Mais uma vez, pois, falou-lhes Pilatos, querendo soltar a Jesus. Eles, porém, bradavam, dizendo: Crucifica-o! crucifica-o!

Sedição significa: Perturbação da ordem pública; agitação, sublevação, revolta, motim, de modo que Barrabás, era um criminoso político no julgamento dos romanos mas, não o era para os judeus. Assim, Jesus foi torturado pelos romanos e, por fim, crucificado.

Antes do por do sol daquele mesmo dia, por intercessão do então ainda judeu, José de Arimateia, Jesus foi sepultado, segundo o costume dos judeus, por que ele era judeu, porém, com respeito a lei mosaica relativa aos delinquentes que são condenados a morte, como narrado em Mateus 27:59-

"E José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo, de linho, e depositou-o no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha; e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.  Mas achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.

No dia seguinte, isto é, o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus perante Pilatos, e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou: Depois de três dias ressurgirei. Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia; para não suceder que, vindo os discípulos, o furtem e digam ao povo: Ressurgiu dos mortos; e assim o último embuste será pior do que o primeiro.

Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o seguro, como entendeis. Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra, e deixando ali a guarda." Mas Jesus ressuscitou como havia sido predito.

Por isso, ao vencer a sua própria morte, com a sua ressurreição, Jesus não apenas destruiu o poder da morte sobre toda a humanidade em si, mas superou também a própria lei e selou o estabelecimento uma nova aliança entre Deus e os Homens, a qual, todo ser humano existente na face da terra, passou a ter direito de escolha do perdão da parte de Deus.

Após ser preso e morto, a tendência esperada, compartilhada tanto por romanos, e mais ainda por judeus, era a de que seus seguidores se dispersassem e seus ensinamentos fossem, aos poucos, esquecidos. Todavia, por obra de um poder que os romanos nunca antes haviam conhecido e que os judeus já haviam esquecido quase que por completo, o Espírito Santo de Deus, ocorreu justamente o contrário.

É justamente nesse fato que se assenta a fé cristã. Como haviam antecipado os profetas no Antigo Testamento, Jesus, o Cristo, ressuscitou, apareceu a seus apóstolos, que estavam escondidos e temerosos e ordenou que se espalhassem pelo mundo pregando sua mensagem de amor, paz, restauração e salvação, a toda criatura. Durante as primeiras três décadas e meia da sua existência, em que o cristianismo foi, de contínuo, severamente perseguido e combatido pelo judaísmo, o governo romano esteve sempre em conveniente conivência, tentando agradar as autoridades dos judeus. Só mesmo um Espírito de poder sobrenatural verdadeiro e santo, poderia mover uns poucos humanos obedientes, acuados e simplistas, mesmo debaixo de tribulações, a agir de uma maneira tal, a causar a maior revolução libertadora de todos os tempos.

Neste período, o cristianismo se espalhou a ponto de, partindo da Judeia, já ter atingido a própria capital do império, Roma, para onde fora levado, notadamente, por prosélitos cristãos, principalmente os convertidos de origem étnica judaica. Estes, invariavelmente pertencentes às classes sociais mais baixas, que uma vez tornados cristãos conversos, viam na situação de tornarem-se empregados, servos ou mesmo escravos de senhores em Roma, melhores condições do que aquelas que existiam em se permanecer na miséria e tribulação, que lhes era infringida pela perseguição que sofriam vivendo na Judeia, que chegava ao ponto de lhes ameaçar, frequentemente, a própria vida.

Nesta época, em Roma, ainda não havia judeus em número muito considerável, principalmente para causar manipulação local contra os cristãos, devido ao genuíno ódio que os cidadãos judeus comuns nutriam por Roma, e assim, os cristãos podiam gozar, a princípio, de relativa liberdade e dignidade ali. Porém, a cumplicidade corrupta entre as autoridades judaicas e romanas continuava.

A queda de Herodes Antipas começou quando seu sobrinho, Herodes Agripa I, que herdara a tetrarquia da Traconítida (região histórica do antigo Israel, ao sul de Damasco, incluindo as montanhas Antilíbano e Batanea. Significa "região pedregosa.") de Filipe, foi reconhecido como rei pelo imperador romano Calígula.

Influenciado por Herodias (a mesma que causou morte de João Batista), Antipas foi a Roma para exigir a mesma honraria. Mas Agripa antecipou-se a ele, fazendo chegar uma mensagem ao imperador, onde acusava o tio de conspirar com os Partos, inimigos do Império Romano. Chegando a Roma, Antipas não somente teve suas pretensões negadas, como ainda perdeu sua tetrarquia (da Galileia), que foi entregue, em acúmulo, a Agripa. Exilado para Lião (Gália), em 39 d.C., Antipas, veio a morrer nesse mesmo ano.

Isso sucedeu dessa forma pois, desde a idade de 6 anos, após o assassínio de seu pai, Agripa I, havia sido criado em Roma, na corte do imperador Tibério, e havia tido a oportunidade de crescer como companheiro íntimo do futuro imperador Calígula e era também muito extrovertido e dado a boas relações com toda sorte de gente importante da corte romana. Entregando-se a uma vida dissoluta, desperdiçando todo o dinheiro que sua mãe lhe deixara, na busca desenfreada de prazeres exóticos, passou a ser perseguido pelos credores, de quem tomara altas somas emprestadas, a altos juros, viu-se obrigado a deixar Roma e a refugiar-se junto ao tetrarca Herodes Antipas, que concedeu-lhe apenas um modesto emprego de comissário comercial em Tiberíades.

De volta a Roma, Agripa caiu nas boas graças de Antônia, mãe de Cláudio e avó de Calígula, que lhe emprestou a quantia necessária para resgatar seus débitos pendentes. Algum tempo depois, uma conversa descuidada em uma carruagem, custou-lhe seis meses de liberdade. Ele comentara com Calígula, que seria bom que Tibério não demorasse a morrer, para que seu companheiro assumisse logo o trono. O comentário foi escutado pelo cocheiro e repassado ao Imperador.

Tibério morreu seis meses mais tarde e Calígula tomou seu lugar, mandando soltar Agripa e, como forma de compensação, nomeou-o rei dos territórios que tinham sido as tetrarquias de seu tio, Felipe, falecido em 37 d.C., e de Lisânias, compreendendo os distritos nordeste da Palestina e as áreas setentrionais em volta do monte Líbano. Agripa permaneceu mais um ano em Roma antes de assumir seu reino, mas quando o fez, promoveu uma volta triunfal, só pelo prazer de ver sua irmã e o marido, roerem-se de inveja.

Quando Calígula foi assassinado, em 41 d.C., Agripa estava, lá mais uma vez, visitando Roma e desempenhou um papel importante nas negociações entre os militares e os senadores, que desembocaram na confirmação de Cláudio, como novo imperador. Agradecido, Cláudio concedeu-lhe o governo da Judeia, Samaria e da Idumeia, que eram uma província romana desde a deposição de Herodes Arquelau, acumuladas as que agripa já tinha por direitos anterior.

Desse modo, apesar de ter sido tudo sob as benesses romanas, reconstituiu-se o reino que Herodes, o Grande, construíra e que fora desmembrado após sua morte. Parecia que que Agripa I tinha tudo em mãos para realizar "a grande virada judaica", que era o que os Judeus, mesmo após Jesus, continuavam esperando de um messias. Mas quando Agripa I decidiu construir novas muralhas em Jerusalém, teve que interromper as obras, por ordem de Cláudio. O historiador Josefo afirma que, se as obras fossem completadas, elas teriam tornado a cidade inconquistável.

Agripa morreu repentinamente, de complicações abdominais, após cinco dias de agonia, em 44 d.C., sob suspeitas de ter sido envenenado, porém a Bíblia nos narra o que realmente ocorreu: " ... por aquele mesmo tempo o rei Herodes [Agripa] estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; E matou à espada Tiago, irmão de João. E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro." (Atos 12:1-3).

Porém, Pedro foi liberto da prisão em pouco tempo, pela ação do poder sobrenatural de Deus, antes mesmo de tomar conhecimento do assassínio de Tiago, e antes também que Herodes Agripa pudesse ter tido a oportunidade de lançar mãos dele. Agripa, contrariado, deixa Jerusalém e retorna a Cesareia, e pelo mesmo poder que libertou Pedro, sucedeu que: " ... num dia designado, vestindo Herodes as vestes reais, estava assentado no tribunal e lhes fez uma prática. E o povo exclamava: Voz de Deus, e não de homem. E no mesmo instante feriu-o o anjo do Senhor, porque não deu glória a Deus e, comido de bichos, expirou. E a palavra de Deus crescia e se multiplicava." (Atos 12:21-24).

Assim, Agripa se fora e enquanto "a palavra de Deus crescia e multiplicava", em três décadas e meia de contínua migração, facilitada pela inexistência de fronteiras dentro do império e pela necessidade da capital por mão de obra escrava ou de servidores de baixo custo, e ainda com a multiplicação das conversões de cristãos na própria Roma, crescendo admiravelmente muito rapidamente em número, os cristãos passaram a chamar para si, a atenção do Estado romano.

De início, professado apenas pelos descendentes de judeus que viviam na periferia de Roma, o cristianismo logo difundiu-se, primeiramente pelas camadas mais pobres da população, especialmente entre os escravos, e pouco a pouco foi evoluindo, até passar a atingir também os cidadãos e mesmo algumas famílias da nobreza romana e se tornar, consequentemente, alvo de preocupação por parte do Estado, pois, afinal, eles pregavam uma total submissão apenas a Deus, e não ao império e ao imperador romano.

Além do mais, a presença do apóstolo Pedro, e por fim, também do apóstolo Paulo, em serviço missionário ali em Roma, estimulou, ainda mais, os cristãos a se multiplicarem e a começarem uma certa forma de organização de estrutura de serviço, maior e mais eficiente do que aquela experimentada, originalmente, em Jerusalém. Era frequente a necessidade da comunidade cristã de Jerusalém, de ajuda material por parte das comunidades cristãs que vinham surgindo em outras localidades.

Contudo, em Roma, por fim, aconteceu de o imperador Nero dar inicio a perseguição romana direta contra os cristãos, no ano 64 d.C.. Tal primeira perseguição durou quatro longos e terríveis anos, e, sob ela, tanto o apóstolo Pedro quanto Paulo, pereceram. Concomitantemente, a força da perseguição da parte judaica contra os cristão entrava em colapso, pois a partir de 66 d.C. com deflagração da revolta dos judeus em Jerusalém contra os romanos, que se espalhou por toda a Judeia, as autoridades Judaicas já não contariam mais com as benesses do Estado. Nesta ocasião os cristão que ali ainda restavam, sabiamente, se lembrando dos avisos proféticos de Jesus, se mobilizaram em grande número, para se afastar da região do conflito, antecipadamente.

Jerusalém foi sitiada e finalmente atacada pelos romanos em 70 d.C., com um saldo de mais de 100.000 mortos, tendo sido destruído, inclusive, mais uma vez, o templo de Jerusalém. Toda a região da Judeia continuou sendo varrida e arrasada pelos romanos, com grande parte da sua população sendo ou dizimada ou dispersa para fora da região, até nos três anos seguintes.

A perseguição romana contra os cristãos, e agora também, igualmente contra os judeus, voltaria a se acentuar, ainda mais, no reinado de Domiciano, notadamente de modo cruel, a partir do ano 92 d.C..

Todavia, isso não conseguiu impedir que, pouco a pouco, o espírito legalista típico do estado romano fosse se afirmando também na formação da subsistente comunidade cristã de Roma, dando-lhe uma ênfase cada vez maior na organização das estruturas eclesiásticas, a ponto de, entre os anos de 88 a 97 d.C., os cristãos de Roma, infelizmente, sentirem-se com força organizacional o bastante, para passar a dar o troco aos judeus que outrora os perseguiam, com Clemente, Bispo de Roma, terceiro sucessor do apóstolo Pedro, responsabilizando-os pela persecução que Nero havia impingido contra os cristãos. Por causa da atuação moderadora de Clemente, em uma crise da comunidade cristã de Corinto, para a qual ele escreveu uma longa e importante epístola, os cristão de Roma, mais tarde, viriam a reclamar a primazia da sua sede, Roma, sobre todas demais comunidades de cristãos.

A agora enraizada e justificada perseguição e o desprezo contra os cristãos por parte do Estado romano, persistiu por longo tempo, variando de intensidade de tempos em tempos. A recusa dos cristãos em aceitar o culto da divindade do imperador foi, para os romanos, com toda probabilidade, a base jurídica de tais seguidas perseguições. Clemente foi preso no reinado de Trajano e condenado a trabalhos forçados. Por continuava a atuar na conversão de outros presos, foi por isso martirizado, em 101 d.C..

Já, a primeira perseguição que envolveu todo o território imperial aconteceu sob o governo de Maximino, apesar do fato de que apenas o clero tenha sido visado. Foi somente sob Décio, em meados do segundo século, que a perseguição generalizada – tanto ao clero quanto aos leigos – tomou lugar em toda a extensão do Império. Gregório de Tours trata deste tema em sua História dos Francos, escrita no final do século VI:

“Sob o imperador Décio, muitas perseguições se levantaram contra o nome de Cristo, e houve tamanha carnificina de fiéis que eles não podiam ser contados. Bábilas, bispo de Antioquia, com seus três filhos pequenos, Urbano, Prilidan e Epolon, e Sisto, bispo de Roma, Laurêncio, um arquidiácono, e Hipólito tornaram-se perfeitos pelo martírio porque confessaram o nome do Senhor."

Apesar de confundir as épocas de perseguição (pois menciona, ao mesmo tempo, personagens que foram martirizados sob Maximino, Valeriano e Décio), o testemunho de Gregório mostra o quanto o tema da perseguição marcou o imaginário da Igreja nos primeiros séculos. As perseguições estatais seguintes foram inconstantes até o terceiro século, apesar do "Apologeticum" de Tertuliano, de 197 d.C., ter sido escrito ostensivamente em defesa de cristãos perseguidos e dirigido aos governantes romanos.

Todavia, mesmo debaixo de perseguição e adversidade, o cristianismo continuava sempre crescendo. No período de reinado do imperador Diocleciano, houve um clímax persecutório, no qual, a agora já muito bem organizada igreja de Roma, passou por um momento de terrível perseguição. O imperador fez mais essa tentativa, entre os anos de 303 a 305 d.C. de suprimir o cristianismo, por suprimir a igreja, eliminando tanto clérigos quanto leigos, e mais uma vez foi um fracasso.

Para saber muitos mais detalhes sobre as várias perseguições aos cristãos ocorridas sob o Império Romano, veja o excelente documentário: Documentário Espelho dos Mártires

Assim, a igreja de Jesus Cristo sofria de perseguição m perseguição, até que aconteceu um fato divisor de águas: Diocleciano abdicou do trono, e seus quatro generais, que governavam regiões administrativas, entraram em guerra. Os dois generais que mais tinham possibilidade de chegar a ser imperador eram Constantino e Magêncio. A vitória de Constantino sobre Magêncio, na Batalha da Ponte Mílvio, em 28 de outubro de 312 d.C., perto de Roma, a qual Constantino, posteriormente, atribuiu ao Deus cristão, explicando, na noite anterior à batalha, ele havia sonhado com uma cruz, e que nela estava escrito: “In hoc signo vinces”, do latim que significa: "Sob este símbolo vencerás".

A partir de Constantino tornado imperador, em 313 d.C., os imperadores passaram a “proteger e estimular cada vez mais a fé cristã”, promovendo uma crescente fusão entre a igreja e o estado, nas qual muitos ajustes, de ambos os lados, foram feitos para que cada um se adaptasse às necessidades do outro, até que, na época de Teodósio I, em 380 d.C., o Império Romano tornou-se oficialmente um “estado cristão”.

Muito embora aquela aparentemente conveniente “conversão estatal”, em seguida o império romano continuaria com o seu já existente declínio, caminhando, até mesmo, ainda mais rapidamente para a sua ruína, até que por fim a humanidade ocidental, herdeira do legado do império romano, passou a entrar num longo período de obscurantismo histórico, com a queda de Roma a partir de 476 d.C..

Isso ocorreu, não que o cristianismo, em si, causasse o declínio do império romano pois, no início do século IV apenas de 5% a 7% dos romanos tinham se tornado cristãos, e, por essa época, em sua grande maioria, estes estavam vivendo na parte Oriental do império, exatamente o lado que permanecerá mais forte e estruturado durante a crise final do século V.

Já, no século III, que havia sido a fase mais aguda de crise econômica e social, enquanto os cristãos, embora bastante organizados, ainda não passavam de uma minoria que se reuniam nas catacumbas da Capital, nas fronteiras de expansão do império, as elites dirigentes das legiões romanas e suas ações em consonância com as estratégias oficiais do estado, exigiam um número incessantemente crescente de soldados, de elevação de soldos e recursos para as guerras.

Por outro lado, houve ainda uma diversificação cultural e religiosa, que a sociedade romana expandida experimentou, após o contato com as populações das colônias e com a naturalização dos bárbaros. Tal fato possibilitou à população insatisfeita do núcleo do império, passar a duvidar da influência dos deuses oficiais greco-romanos nas decisões políticas, explicação que até então legitimava o poder do império e do imperador, levando um bom número deles a buscar adesão a crescente religião cristã.

O fato é que, depois das dificuldades experimentadas do século III, vários imperadores procuraram centralizar ainda mais o Estado, a fim de obter um maior controle dos cidadãos de um tão vasto império, agora existentes em grande diversidade sócio cultural e religiosa, para que deste modo fosse mais fácil mobilizar os enormes recursos humanos e financeiros para defender, sem em nada abrir mão, a estupidamente expandida fronteira do império e o fragilizado núcleo imperial, e, principalmente, unificar isso tudo em torno de uma ideologia única.

Com Constantino I, passou-se a eleger o cristianismo, devidamente fundido e adaptado, de maneira discreta, à antiga religião greco-romano oficial do Estado, como a religião capaz de produzir aquele desejado monopólio ideológico unificado. Afinal de contas, o cristianismo era, de fato, contra todas a possibilidades e expectativas, a religião que mais crescia, e passava a influenciar a nata romana, mesmo debaixo de adversidades.

Creio que Roma foi devorada por si própria e por seu incessante e compulsivo desejo expansionista e, eu, particularmente não creio, que imperador romano algum, que tenha vivido até a queda do império do ocidente, efetivamente tivesse crido, verdadeiramente, no Deus dos cristãos, e, principalmente enxergado, que a real fonte de sucesso do cristianismo, contra todas as adversidades as quais ele era submetido, era o poder daquele mesmo Deus.

Roma, enquanto Estado imperial, tentou “usar” em seu benefício o cristianismo, mas o cristianismo era algo que até então as elites romanas, verdadeiramente, não entendiam e nem sequer conheciam ao certo. Por isso, não é de estranhar não ter obtido exito em extrair o efeito expectado disso.

O fato é que Roma estava se condenando, por não vislumbrar a possibilidade de retroceder em sua política de expansão já realizada e, nem mesmo o “esforço final” de “absorção” do cristianismo ocorrido, apesar de dar algum alento e sobrevida, de modo algum conseguiu reverter a falência final do império.

Durante toda a “Pax Romana” a instituição militar tinha se visto orientada para múltiplos objetivos. Além da defesa fronteiriça de mais de 9000 Km, da fortificação de pontos estratégicos, construção de estradas e segurança pessoal das mais altas magistraturas imperiais, transmitir elementos da cultura, religião e língua latina às regiões onde se fixavam as guarnições militares, bem como a criação de condições favoráveis para o desenvolvimento das economias locais, a sua presença impunha o respeito e a aceitação incondicional da soberania de Roma: assim era a paz romana.

A manutenção da paz e da estabilidade no mundo romano era atribuída aos militares como tarefa primordial e de grande importância: Era uma paz armada e atingível apenas com a presença das legiões. Essa era a única forma de assegurar uma harmonia mínima e a articulação entre o poder imperial e as vastas regiões a governar, servindo de instrumento de apoio à execução de medidas de carácter administrativo, todavia, de maneira notória, isso também fez com que o império, de modo inevitável e continuamente, consumisse a si próprio, em termos de recursos.

Por outro lado, influenciada pelos decretos da oficialização e da resultante “adaptação” que propiciariam a “liberdade” de culto e de manifestação, “o cristianismo”, ou melhor, a agora oficialidade do cristianismo, a igreja, passou, de modo infeliz, a tornar-se, para alguns, veículo de promoção social e de meio para a obtenção de cargos e benefícios públicos.

Na medida em que essa nova nomenclatura romana de “fé cristã” se consolidava como religião, os territórios onde ela “desabrochava”, dividiram-se em dioceses e paróquias, à frente dos quais foram postos bispos e párocos, sob a chefia do papa, sucessor de Pedro e bispo de Roma, a capital, e agora sob as benesses diretas do Estado romano em decadência.

Assim, como religião oficial e marcadamente urbana que se tornara a partir de fins do século IV, os demais cultos “não ajustados” que existiam, notadamente, nas regiões mais remotas e de fronteira do império, passaram a ser severamente perseguidos, ainda nas derradeiras décadas do moribundo império. Por conseguinte, os seguidores das várias diversificações de paganismo bárbaro, tiveram que se refugiar na zona rural, donde vem o uso costumeiro do termo “pagão”, de modo generalizado, a essas populações. Pagão significa tão somente habitante do campo.

A perseguição sofrida pelas mãos desses “cristãos oficiais do império romano” era exercita, em concomitância, com as ações puramente militares de manutenção da fronteiras do império e de mobilização forçada de recursos em colonias insubmissas, de um modo cruel e pernicioso. Curiosamente, o primeiro grande saqueador de Roma, o rei Visigodo Alarico I, havia recebido treinamento militar romano para atuar como comandante de tropas auxiliares a serviço do próprio império, antes de rebelar-se e promover três cercos a capital, até saqueá-la, em 410 d.C.

Isso fez com que os povos bárbaros aprendessem, inicialmente a reagir, pela força das armas, com maior consistência pelo uso de táticas essencialmente de guerrilhas, contra as incursões das legiões romanas, para em seguida, se organizarem a ponto de poderem partir para o contra-ataque e para o ataque, que desferiu os golpes finais que encerram com a existência do “império romano cristão do ocidente”.

Porém, após o fim do império, o agora “poluído” cristianismo, pela sua nomenclatura centrada em Roma e seu culto ritualístico deformado, sobrevivera, e até se arvorava herdeiro do império vencido, passando de perseguido a perseguidor, continuaria a crescer nas sombras do obscurantismo da idade média, e ainda teria, para o bem e para o mau, muita história para escrever, arvorando-se muitas vezes, de modo truculento, do nome de Jesus.

A mensagem da verdade da nova aliança, é e sempre foi a mesma: “Por meio disso saberão que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós” Jo 13:35 e Jesus vai além, desafiando a nossa condição imperfeita e nos mostrando que é mesmo debaixo dela que devemos buscar santidade: “Ouvistes que se disse: ‘Tens de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo.’ No entanto, eu vos digo: Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem; para que mostreis ser filhos de vosso Pai, que está nos céus, visto que ele faz o seu sol levantar-se sobre iníquos e sobre bons, e faz chover sobre justos e sobre injustos. Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem também a mesma coisa os cobradores de impostos? E, se cumprimentardes somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem também a mesma coisa as pessoas das nações? Concordemente, tendes de ser perfeitos, assim como o vosso Pai celestial é perfeito." Mt 5:43-48

Sob a nova aliança de Jesus, nenhum ato mais de violência, de qualquer espécie, se justifica, por mais elevados que possam parecer os objetivos ou intenções a estes associados. Na nova aliança, tudo é sugerido, nada exigido e, consoante a isso, assim também deve ser os salutares propósitos evangélicos que um cristão coloca em seu próprio coração.

Deste modo, por exemplo, acontecimentos aparentemente positivos para o desenvolvimento da "igreja", como o da ordem de fechamento da academia platônica de Atenas, por mandado do imperador bizantino Justiniano, no ano de 529 d.C. trouxeram, efetivamente, nenhuma glória para o nome de Deus. Comparativamente com aquilo que se nos pareceu um discurso frustrado, louco e solitário, proferido pelo apóstolo Paulo, aos atenienses no Areópago, séculos antes, de fato, a determinação de Justiniano foi, deveras, contraproducente para o serviço do reino de Deus. Neste segundo evento, embora falando a uma plateia, por cultura e por orgulho, notadamente inamistosa, por fazer uso de legítimo amor cristão, centrado na graça do livre-arbítrio da parte do Senhor, mesmo que tenha parecido pouco aos nossos olhos, o apostolo de Jesus gerou, bons frutos do Espírito. Já, quanto ao primeiro evento, aquele obteve tão somente, um exito maior, em criar celeumas de relações humanas que, até os dias de hoje, representam obstáculos ainda maiores, em que as boas novas do evangelho venham a atingir as mentes e os corações daqueles que se fazem a si mesmos ateus e agnósticos.

Não é por falta de avisos da parte de Jeová que tais fatos, a saber: a vazão da nossa força violenta corrupta, ocorrem de contínuo entre nós humanos, pois Ele mesmo nos tem também acusado a consciência cauterizada desde muito cedo: “Que hei de fazer-te, ó Efraim? Que hei de fazer-te, ó Judá, quando a vossa benevolência é como as nuvens da madrugada e como o orvalho que logo desaparece? Por isso terei de talhá-los por meio dos profetas; terei de matá-los por meio das declarações da minha boca. E os julgamentos sobre ti serão como a luz que sai. Pois, agrado-me da benevolência e não do sacrifício; e do conhecimento de Deus antes do que de holocaustos. Eles, porém, como Adão, transgrediram o pacto; É nisso que agiram traiçoeiramente para comigo. Gileade é uma vila de malfeitores; suas pegadas são sangue. E como que atocaiados contra um homem, a associação dos sacerdotes são guerrilhas. À beira do caminho cometem assassinato em Siquém, porque só se empenharam em conduta desenfreada. Vi uma coisa horrível na casa de Israel. Há ali fornicação da parte de Efraim. Israel se aviltou. Também para ti, ó Judá, está determinada uma ceifa. Ao querer eu trazer do cativeiro o meu povo.” Os 6:4-11.

Vinde, pois, e retornemos para o Senhor, enquanto Ele pode ser achado, pois para o fim dos tempos está reservado: "E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra." Is 2:4
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Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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