quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Filme "O Óleo de Lorenzo" e a Construção do Conhecimento Científico (Sobre a A.L.D. - Adrenoleucodistrofia)


O.B.S.: Clique para ser redirecionado para "O ÓLEO DE LORENZO: O USO DO CINEMA PARA CONTEXTUALIZAR O ENSINO DE GENÉTICA E DISCUTIR A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO" de autoria de Sylvia Regina Pedrosa Maestrelli e Nadir Ferrari, do Núcleo de Estudos em Genética Humana, Departamento de Biologia Celular, Embriologia e Genética, Universidade Federal de Santa Catarina.

"O óleo de Lorenzo" – é um filme produzido por Hollywood no ano de 1992, do gênero drama, dirigido por George Miller. É embasado em uma hstória real.

Elenco:

Susan Sarandon             .... Michaela Odone
Nick Nolte                    .... Augusto Odone
Zack o'Malley Greenburg .... Lorenzo Odone (Pequeno)
Aaron Jackson               .... Francesco Odone
Peter Ustinov                .... professor Gus Nikolais


Oscar 1993 (EUA) Indicado nas categorias de Melhor Atriz (Susan Sarandon) e Melhor Roteiro Original. Globo de Ouro 1993, Indicado na categoria de Melhor Atriz - Drama (Susan Sarandon). Lorenzo levava uma vida normal até que aparecem diversos problemas de ordem mental, que são diagnosticados como ADL, uma doença extremamente rara e que provoca incurável degeneração no cérebro, levando o paciente à morte em pouco tempo. Os pais do menino ficam frustrados com o fracasso dos médicos e a falta de medicamento para a doença . Começam a estudar e a pesquisar sozinhos, na esperança de descobrir algo que possa deter o avanço da doença.

O Óleo de Lorenzo é uma história verídica, de Lorenzo Odone, um garoto levava uma vida normal até que, quando tinha seis anos, estranhas coisas começam a acontecer, pois ele passou a ter diversos problemas de ordem mental. Aos oito anos, tendo os sintomas agravados, foi diagnosticado como portador de ALD, uma doença genética, rara e incurável.

A adrenoleucodistrofia (ADL, em inglês e ALD, em português), destrói progressivamente o sistema neurológico. Quando seus pais foram informados deste terrível diagnóstico do filho único, não se conformaram e iniciaram uma batalha científica para melhor entender o inimigo invisível que ia destruindo o cérebro de Lorenzo, deixando-o cego, surdo, paralítico, incapaz de engolir e de se comunicar.

Diante do inesperado desengano dos médicos, os pais de Lorenzo decidiram estudar livros de medicina e os poucos artigos científicos da época. Tudo que pudesse ajudar na compreensão da ação desta doença e assim poder discutir com os médicos a melhor forma de tratamento para amenizar os sintomas de Lorenzo.

Os pais de Lorenzo sem aceitar passivamente o diagnóstico passaram a se dedicar ao estudo dos mecanismos básicos celulares, buscando aprender e entender como as células do organismo funcionam. Passavam dias e noites em bibliotecas, mergulhados em livros (principalmente o pai de Lorenzo, Augusto Odone), numa época em que computadores pessoais e Internet praticamente não existiam. Quando eles acreditavam que haviam encontrado alguma informação relevante, procuravam médicos e professores dos cursos de medicina e discutiam com eles suas idéias, sempre buscando encontrar uma forma de tratamento que minimizasse o sofrimento de Lorenzo.

As dificuldades encontradas foram enormes, desde preconceitos de profissionais por serem eles leigos em Bioquímica e Medicina; à impossibilidade de realização de testes em humanos, de tratamentos ainda não autorizados pelo FDA (Food and Drug Administration – Órgão que fiscaliza a saúde nos Estados Unidos). Uma luta intensa para encontrar parceiros químicos com competência para produzir a fórmula dos óleos que eles acreditavam que pudessem curar Lorenzo.

A ALD se caracteriza pelo acúmulo de ácidos graxos saturados de cadeia longa (principalmente ácidos com 24 e 26 carbonos) na maioria das células do organismo afetado, mas principalmente nas células do cérebro, levando à destruição da bainha de mielina, a camada que envolve o axônio, um prolongamento dos neurônios, que protege determinados neurônios e é responsável pela condução dos impulsos elétricos no cérebro. Sem a mielina, eles perdem a capacidade de transmitir corretamente os estímulos nervosos,  que fazem o cérebro funcionar normalmente e aí surgem os sintomas neurológicos da doença. Entre os sintomas, estão a disfunção adrenal, perda da memória, visão, audição, fala e demência grave.

O óleo de Lorenzo é uma mistura de dois ácidos graxos insaturados, o ácido oléico (C18:1) e ácido erúcico (C20:1), cujo metabolismo se sobrepõe ao dos saturados, evitando assim o seu acúmulo. Para chegar a isso, os pais de Lorenzo estudaram os resultados de muitas pesquisas na época, inclusive feitas em animais. Eles sabiam, por exemplo, que o óleo é tóxico para ratos, levando-os à morte, mas tiveram a coragem de ministrar em seu filho e mostrar ao mundo que o óleo é inofensivo aos humanos e que podia reverter e principalmente evitar os efeitos catastróficos da ALD. A família ainda enfrenta dificuldades com o FDA, que até hoje não autorizou o uso em humanos. O óleo é hoje produzido por uma companhia inglesa, e o Sr. Odone não recebe nenhuma porcentagem das vendas.

A mãe de Lorenzo, Michaela Odone, morreu em 10 de junho de 2000, após uma batalha contra o câncer.

Lorenzo faleceu em 30 de maio de 2008, aos 30 anos. Lorenzo morreu enquanto dormia, um dia após o seu aniversário. A causa morte não foi a ALD, mas uma broncopneumonia persistente devido ao acúmulo de alimentos aspirados pelo pulmão. A sobrevida de Lorenzo foi um recorde para quem tem a doença da adrenoleucodistrofia, que só possível graças aos cuidados extremados de seus pais.

O pai, Augusto Odone, que ainda cuidava do filho, quando esse faleceu,  agora segue administrando a Fundação “The Myelin Project” e se empenhando para obter fundos para pesquisas. O reconhecimento dos seus estudos pela comunidade científica e acadêmica resultou no título de Doutor honoris causa por sua imensa contribuição à ciência e à medicina.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

As perseguições acompanham a vida do crente por toda a parte:


Jesus Cristo, o Filho de Deus, Aquele no qual nós cremos e que nós seguimos, disse muito claramente e de várias maneiras, que aqueles que o seguissem seriam perseguidos. Atentem para o fato que Jesus não disse que seus seguidores poderiam, por ventura, ser perseguidos, mas ele disse, sim, que decerto o serão perseguidos!


Vemos referências a tal propósito, quando Jesus disse: "“Felizes sois quando vos vituperarem e perseguirem, e, mentindo, disserem toda sorte de coisas iníquas contra vós, por minha causa. Alegrai-vos e pulai de alegria, porque a vossa recompensa é grande nos céus; pois assim perseguiram os profetas antes de vós." (Mt. 5:11-12);


Eu mesmo já fui perseguido, no passado, diversas vezes, por erros que eu de fato cometi e que eu, então, por saber-me culpado, tive muito medo e fugi, me ocultei, me esquivando de eventuais castigos, então merecidos, pelos meus atos. Mesmo me esquivando, com sucesso, perante os olhos do mundo, de tais perseguições, no meu âmago eu sentia, sempre, a cada dia, que foi tudo muito vergonhoso e triste com respeito a tais coisas, eu mesmo não conseguia me perdoar pelo que eu havia vivido.

Isso tudo já passou e agora eu começo a  me ver novamente perseguido, muito embora eu não me sinta perseguido, de fato. É que a tal perseguição atual é por causa da verdade, da palavra de Deus, que eu não consigo deixar de viver e apregoar e a qual o mundo odeia.

Eu juro que a sensação agora é totalmente diferente da de outrora: não há mais nada de medo nem de vergonha: eu só sinto uma coragem enorme, que supera aquela que eu possa ter tido em qualquer outra ocasião anterior de minha vida e uma perspicácia no manejo da palavra de Deus, que eu nem sonhava que eu poderia ter um dia, além de rencontros surpreendentes e maravilhosas com pessoas que eu conheci anteriormente e que de modo misterioso se encontram agora na mesma rota que eu.

Muito embora eu saiba que logo ali em frente existe uma turba de perseguidores que me odeiam por causa das coisas que eu creio, sendo clara as palavras rudes e de afronta que estes me retornam, mas eu já não consigo vê-los individualmente com clareza, pois é como se eles se tornassem tão somente uma massa disforme, algo impessoal.

" Se o mundo vos odeia, sabeis que me odiou antes de odiar a vós. Se vós fizésseis parte do mundo, o mundo estaria afeiçoado ao que é seu. Agora, porque não fazeis parte do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por esta razão o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós; se observaram a minha palavra, observarão também a vossa. Mas, farão todas estas coisas contra vós por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15:18-21) … "Tenho falado estas coisas para que não tropeceis. [Os] homens vos expulsarão da sinagoga. De fato, vem a hora em que todo aquele que vos matar imaginará que tem prestado um serviço sagrado a Deus. Mas, farão estas coisas porque não vieram a conhecer nem o Pai nem a mim." (Jo 16:1-3);

"“Mas, antes de todas estas coisas, as pessoas deitarão mãos em vós e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, sendo vós arrastados perante reis e governadores por causa do meu nome. Isto vos resultará num testemunho. Portanto, assentai nos vossos corações não ensaiar de antemão como fazer a vossa defesa, porque eu vos darei uma boca e sabedoria, à qual todos os vossos opositores juntos não poderão resistir, nem [a] disputar. Além disso, sereis entregues até mesmo por pais, e irmãos, e parentes, e amigos, e eles entregarão alguns de vós à morte; e vós sereis pessoas odiadas por todos, por causa do meu nome. Contudo, nenhum cabelo de vossa cabeça perecerá de modo algum. Pela perseverança da vossa parte adquirireis as vossas almas." (Lc 21:12-19).

O apóstolo Paulo confirmou que nós Cristãos fomos chamados a ser perseguidos por causa de Cristo. Ele disse, de fato, aos Tessalonicenses que nós estamos destinados a sofrer (ver 1 Ts. 3:3), e a Timóteo que "De fato, todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos." (2 Tm 3:12).

Durante uma certa fase passada recente de minha vida, no âmbito da minha recuperação como adicto, eu me preocupei muito com a questão relacionada com o termo "resiliência". A resiliência é um conceito psicológico novo, emprestado da física. Na física, resiliência é um conceito que se refere à propriedade de que certos materiais são dotados, de absorver e acumular energia quando submetidos ao estresse (tensão) de uma força exterior que lhes é aplicada, porém sem que ocorra ruptura de forma alguma. Após a tensão cessar poderá ou não haver uma devolução (descarga) da energia armazenada, como um corda elástica ou uma vara de salto em altura, que verga-se até um certo limite sem se quebrar e depois retorna à forma original, dissipando a energia acumulada, lançando o atleta para o alto..

Já em psicologia, resiliência é definido como a capacidade que um indivíduo tem de lidar com problemas, superar obstáculos, resistir à pressão de situações adversas, em suma, lidar com as frustrações inevitáveis, choques e estresses etc. - sem entrar em surto psicológico. No contexto das organizações humanas, a resiliência é vista nas circunstâncias de tomada de decisão quando, entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. O foco em tais conquistas, face das decisões, propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, pode-se considerar que a resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades.

Ao pesquisar e estudar sobre resiliência, eu pretendia, dominando-a, usá-la como ferramenta, como arma de defesa, em todos os contextos da minha vida, no meu dia a dia, incluindo a minha defesa quanto a perseguições por causa da fé. Todavia mais uma vez Jesus me surpreende com a sua simplificação de tudo. A simplicidade que há em Cristo me diz tão somente: “Porém, quando vos levarem perante assembleias públicas, e [perante] funcionários do governo e autoridades, não fiqueis ansiosos quanto a como ou o que haveis de falar em defesa, ou o que haveis de dizer; pois o espírito santo vos ensinará naquela mesma hora as coisas que deveis dizer.” (Lc 12:11-12). De modo que, a minha preocupação com o desenvolvimento de resiliência, simplesmente não procede.

O apóstolo Paulo sofreu muito pelo nome de Cristo: eis algumas das suas palavras sobre os seus sofrimentos padecidos por ser perseguido por causa do Evangelho: "Dos Judeus cinco vezes recebi quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado; …. em fome e sede, …. em frio e nudez" (2 Co. 11:24,27), e ainda: "Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis . Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o lixo do mundo, e como a escória de todos " (1 Cor. 4:9-13).

Como adicto em recuperação eu confesso que tenho, hoje, facilidade em compreender a mensagem de Paulo, fazendo analogia do amor a Cristo e ao Evangelho a loucura, fraqueza e desprezo, uma vez que eu pude conhecer e viver em mim mesmo a mais absoluta e profunda loucura, fraqueza e desprezo que são propiciadas pela mais poderosa ferramenta de destruição que o poder superior iníquo preparou para este tempo do fim, com o intuito de devorar as almas dos seres humanos mais renitentes, ignorantes e egocêntricos: o uso e abuso de substâncias que alteram o seu humor e sua capacidade de escolha: as drogas. Depois de passar pelo horror do mundo das drogas, nunca mais a palavra de Deus pôde parecer-me em nada louca, fraca ou desprezível, mas ao contrário, sábia, poderosa e fundamental.

Os santos de Jerusalém ( ver At 8:1-3), os de Tessalônica (ver 1 Ts. 2:14), os de Esmirna (ver Ap. 2:8-11), os de Pérgamo (ver Ap. 2:13), sofreram muitas coisas por amor do Senhor Jesus.

Estêvão foi apedrejado pelos Judeus e morto (ver. At 7:54-60), Tiago irmão de João foi morto por mão de Herodes (ver At 12:1-2), Antipas foi morto pelo nome de Cristo (ver. Ap. 2:13). Numa das passagens mais impressionantes da Bíblia, João na visão que teve na ilha de Patmos viu as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da Palavra de Deus e pelo testemunho que deram (ver. Ap. 6:9-11).

Os verdadeiros Cristãos sempre foram perseguidos em qualquer época e lugar que tenham vivido. Algumas vezes a perseguição será mais forte outras vezes menos forte, mas a perseguição haverá sempre. Outro dia li em um site de internet, que na época do ditador Nicolae Ceausescu, um crente romeno recebeu a visita da polícia secreta que revistou toda a casa e confiscou muitos livros cristãos. Prenderam e levaram o crente ao tribunal. Interrogaram-no duramente por dez horas. Ao final, os juízes perguntaram: Tem algo mais a acrescentar?

– Senhores, este interrogatório e prisão não me surpreenderam, porque eu sabia que isso iria acontecer. O Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que, se queriam segui-lo, seriam presos e sofreriam. Os senhores teriam me prendido se eu não fosse cristão?

– Não.

– Portanto, a Bíblia é verdadeira. Estou disposto a suportar as consequências de minha fidelidade e a pagar o preço. O trabalho de vocês consiste em estabelecer esse valor; o meu é pagá-lo com alegria, porque amo a Deus. Ele me fortalecerá para suportar essa prova. Mas quero que saibam que Ele também os ama.

Os juízes, espantados, se entreolharam e disseram ao acusado: – Vá para casa. Depois de tudo, o seu caso não é da alçada da justiça humana.

Embora o mundo esteja contra os que creem em Jesus, isso não deve desanimá-los, pois o amor de Deus os consola. Além disso, a esperança e a fé os faz alcançar a vitória. O próprio Senhor Jesus carregou uma cruz e morreu pregado nela; e Ele categoricamente afirmou: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Mc 8:34). Existe uma cruz para nós e existe um preço a pagar por seguir o Senhor Jesus. Não se engane, “no mundo tereis aflições” (Jo 16:33). De modo que não existe Evangelho sem sofrimento, "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se veem, mas sim nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, enquanto as que se não veem são eternas" (2 Cor. 4:17-18). Aliás, é justo que nós soframos porque também Jesus Cristo tem sofrido muito por nós. Por que não haveríamos nós de sofrer por amor do seu nome? E, além disso, as aflições cooperam para o nosso bem porque, como diz Paulo, produzem em nós paciência (ver. Rom. 5:3) e a paciência cumpre perfeitamente a obra de Deus em nós (ver. Tg 1:2-4).

Portanto, não murmuremos contra Deus no meio das aflições, mas oremos encomendando as nossas almas ao fiel Criador, fazendo o bem (ver. Tg 5:13 e 1 Pe. 4:19). Não desanimemos, pois é normal, justo e útil aquilo que nos sucede. Alegremo-nos de sermos julgados dignos de ser vituperados e perseguidos pelo nome de Jesus.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O Cartão de Visitas e a Bíblia

'Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima'. Louis Pasteur


Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito: Professor Doutor Louis Pasteur, Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

(Fato verdadeiro, integrante da biografia de Louis Pasteur,ocorrido em 1892)

sábado, 6 de agosto de 2011

O Chamado de Deus

Convido o leitor a analisar três versículos, partindo da premissa de que eles estão interligados e ligado a um mesmo fenômeno, o qual eu denomino aqui de: “O Chamado de Deus”

1. Jesus disse-lhe: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. (Jo 14:6)

2. Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia; (Jo 6:44a)

A conclusão que eu mesmo chego é a de que é o próprio Senhor Jeová quem nos atrai primeiro, ou seja, quem nos escolhe e nos chama, e, o chamado é para seguirmos a um caminho designado por Ele: o caminho é seguirmos a Jesus Cristo, imitando-o.

Assim, Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, recomenda-nos a imitação de sua própria vida porque ele imitava a Cristo: "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo" (1Co 11:1) e também: “Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores (1Co 4:16).

Uma vez atraídos, por aceitarmos o chamado do Senhor Jeová, significa que passamos então a ser imitadores de Cristo, dia após dia, seguindo-o continuamente. Assim, foi Deus quem pôde se chegar a nós primeiro e nos atrair, de modo que agora, por aceitarmos o chamado, passamos a seguir a Cristo, e, por fim, nós poderemos nos chegar também diretamente a esse mesmo Deus que nos atraiu e que nos amou primeiro.

Prosseguiu, pois, Jesus: Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo. Jo 8:28

Uma vez aprovados em parte e chamados por Deus, em geral passamos a sentir em nosso coração, em grau maior ou menor, o desejo de seguir ao seu Cristo, pois é isso que o chamado de Deus faz em nós, pois Ele mesmo é o responsável pela determinação de que não há como se chegar a Ele, sem trilharmos o caminho de sermos imitadores do Senhor Jesus.

Entretanto, a minha própria experiência com o meu chamado me revela que eu posso ou não obedecer ao chamado. Pode ocorrer de eu estar fraco e me permitir ser dominado por temores imaginários e aquele que teme não é perfeito em amor. (ver 1Jo 4:18). No entanto, ao que tudo indica, me parece que o Senhor Jeová não desiste nunca de um chamamento que fez, de modo que, o ser humano que é chamado e por se sentir ainda fraco, renega o chamado, resulta como quem passa a viver tal como um perseguido, um fugitivo do chamado.

Aquilo que ocorreu com o profeta Jonas deixa muito clara a realidade disso: não há como fugir, de modo definitivo, de um chamado do Senhor. Tentar fazê-lo, a mim mesmo custou perdas de tempo e de recursos preciosos que, mesmo eu hoje sabendo que, no devido tempo de Deus, tais perdas me serão mais do que restituídas, a experiência toda foi, de fato, muito traumática e tais provações poderiam ter sido evitadas, se eu tivesse, de imediato, demonstrado boa vontade e sido obediente ao chamado de Deus. Mas eu estava realmente fraco ao ser chamado e precisei das provações para ser aperfeiçoado no amor.

3. Ele prosseguiu então a dizer a todos: “Se alguém quer vir após mim, repudie-se a si mesmo e apanhe a sua estaca de tortura, dia após dia, e siga-me continuamente. ...” (Lc 9:23)

Uma vez que eu obedeço ao chamado e começo a seguir a Cristo, não me convém imaginar que deste momento em diante, na minha vida, as provas acabaram e irá acontecer só vitórias, pois de fato não será assim. Enquanto não vier o que é perfeito, o meu aperfeiçoamento requer aprendizagem contínua, portanto provação contínua e eu me alegro sinceramente na prova.

Paulo tinha conhecimento desta circunstância quando falou: “E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, visto que aceitastes a palavra sob muita tribulação, com alegria de espírito santo, de modo que viestes a ser um exemplo ...” (1Ts 1:6-7).

Eu devo considerar que eu continuo a viver no mundo, neste mesmo mundo que ainda jaz no poder do iníquo (ver 1Jo 5:19). O que eu devo esperar então?

Quando esteve vivendo entre nós como homem o Senhor Jesus respondeu a essa questão, a fim de que seguindo-o de contínuo, nele, nós tivéssemos paz: “No mundo tereis aflições (realidade fatídica), mas tende bom ânimo (resposta à realidade), eu venci o mundo (resultado final).” (Jo 16 : 33). Portanto, eu devo esperar pelas tribulações, todavia com o bom ânimo de Cristo, crente de que minha atitude e minha fé, funciona e vale a pena.

Eu não devo permitir, em momento algum, que as tribulações que fatalmente me aflijam, venham a me desanimar e me afastar do meu chamado da parte de Deus. Devo sim, me esforçar em manter sempre um genuíno bom ânimo. Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, inspirado pelo poder do santo espírito de Deus nos alerta: Mantende os vossos sentidos, sede vigilantes. Vosso adversário, o Diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando [a quem] devorar. (1Pe 5:8)

Se decidimos ouvir e aceitar a um chamado de Deus para seguir a Cristo, devemos estar consciente de que precisamos sujeitarmo-nos , portanto, a Deus e opormo-nos ao Diabo, de modo que ele fuja de nós. (ver Tg 4:7). O diabo fugirá de nós, não por nós mesmos, pois nós não temos em nós mesmos poder para isso, mas por causa da nossa total sujeição a Deus, como seguidores e imitadores fieis de Jesus.

Lembremo-nos que, por ser apropriado executar tudo o que é justo, o homem Jesus também atendeu ao seu chamado de Deus, com o seu batismo e foi a partir dali que Jesus recebeu o Espírito Santo de Deus e foi anunciado por Ele como sendo o seu filho amado a quem Ele vinha aprovando. (ver Mt 3:15-17).

A narrativa que vem a seguir (Mt 4:1-11), mostra que Jesus foi então conduzido pelo espírito ao ermo, para ser tentado pelo Diabo, sendo que após ter sido debilitado por um longo jejum foi tentado por três vezes, mas Jesus resistiu, foi assertivo e manteve-se fiel a Jeová e sua palavra, de modo que por fim o próprio Jesus se sentiu autorizado a ordenar-lhe: “Vai-te, Satanás!” e só então o Diabo deixou-o.

Eu devo resistir ao diabo com o bom ânimo de um imitador de Cristo, com a sabedoria que convém a tal circunstância. Eu não devo maldizê-lo e nem desafiá-lo, pois isso não me seria prudente e nem compete a mim julgá-lo., Eu devo lembrar que no livro de “Judas, escravo de Jesus Cristo, mas irmão de Tiago, aos chamados que são amados em relação com Deus ...” (Jd 1), eu encontro o alerta que me diz que, “o arcanjo Miguel, quando contendia com o Diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou lançar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda. (Jd 9)

Portanto, resistir ao diabo significa uma resistência inflexível, porém pacifica e ordeira. Isso não significa covardia, mas sim sabedoria e “a excelência do conhecimento é que a sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Ec (7:12). De fato, se por causa das várias tribulações que me afligem, eu me estressar e disser que eu “odeio o Diabo”, como eu já fiz outrora, eu estou caindo em uma armadilha. Com isso estarei agradando o próprio Diabo e renegando em seguir, verdadeiramente, a Jesus Cristo, que me ordenou enfaticamente o que eu devo fazer: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus”.

Se eu, de fato, fui chamado por Deus e sou mesmo um escolhido, eu devo ter a maior misericórdia possível pelos que não o foram ainda, principalmente pelos que andam perdidos e mais ainda se alguém dentre estes for usado para fazer algum mal diretamente a mim, pois as aflições que eles vivenciam em suas tristes vidas, são em muito superiores as minhas próprias e eu não sei sobre o dia de amanhã e também não conheço os detalhes do plano de Deus. Alguém que hoje anda por caminhos torpes poderá, amanhã, ser também chamado e levantado por Deus, assim como eu mesmo creio que eu tenho sido.

A misericórdia de Deus foi oferecida, por meio do sangue de Jesus, a todos. Eu devo dar o exemplo do amor ao me relacionar com aqueles que ainda não creem, devo acreditar que a condição destes é só por hoje e não ser egoísta e desejar guardar esta bênção só para mim, pois ela me foi dada para ser partilhada, “não tornando mal por mal, ou injuria por injuria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a benção. (1Pe 3:9). Eu devo divulgar as boas novas a todos, usando como ferramenta não apenas a palavra de poder, mas também dando mostra viva do poder da palavra em mim mesmo.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Os 12 passos e a recuperação: sexto e sétimo passos do Programa de N.A.





Ruinas de Harã, sítio arqueológico no sul da Turquia (hoje)


6º. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7º. Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.


Eu creio que NÃO caiba aqui, nestes passos, qualquer ênfase à pergunta “Será que eu reconheço que não tenho condições de salvar a mim mesmo?”, pois se assim for, se essa pergunta ainda tiver que ser feita, significa que eu não deveria ter avançado para além do passo 2 e que eu preciso, de fato, voltar a ele (Passo 2), agora.

Entretanto eu posso sim, tão somente recordar, que eu já tenho a resposta para esta questão a fim de me ASSEVERAR, de que eu possuo a base e que eu posso, com toda firmeza, seguir em frente.

Este é o ponto exato em que eu tenho que abandonar, que eu tenho que abdicar dos meus próprios objetivos limitados e avançar em direção à perfeita vontade de Deus para conosco.

Nem sempre é fácil conhecer a "vontade de Deus", e, ainda existe a questão que eu cheguei até aqui concebendo meu próprio Deus “da maneira como eu o compreendia” até então, de modo que, eu, particularmente, não consigo vislumbrar uma via de progresso na minha recuperação, para além (desses Passos 6 e 7), sem que o conceito de Deus se torne algo absolutamente claro e consistente para mim.

Aqui, nestes Passos 6 e 7, eu e o meu Deus passaremos a AGIR CONJUNTAMENTE, a fim de remover os meus próprios "defeitos de caráter", as minhas "imperfeições", de modo que, um exato conceito daquilo que é e daquilo que não é um "defeito de caráter", daquilo que é e daquilo que não é uma "imperfeição" e do que pode ser e do que não pode ser "aceitável a Deus", pode variar na mesma proporção em que varia a minha própria concepção sobre o meu Deus.

Então, está é a primeira grande questão aqui: ter a concepção do meu Deus, da maneira como eu o compreendo, de uma forma absolutamente clara e consistente. É por isso que se diz que em Narcóticos Anônimos nada é imposto, tudo é sugerido. O guia de passos do programa de recuperação de Narcóticos Anônimos é de suma importância (e também pé obra de Deus), mas cada qual passa agora a depender da sua exclusiva relação com o o seu próprio Deus, para seguir em frente.

O personagem bíblico Noé teve três filhos: Sem, Cão e Jafé. Depois do Dilúvio os filhos de Noé formaram originalmente uma única nação e a humanidade falava uma única língua. Todavia, como podemos constatar em Ge 10:25, nos tempos de Pelegue se repartiu a terra e conforme Ge 10:31, segundo suas famílias, segundo as suas línguas, nas suas terras, segundo as suas nações: a humanidade se encontrava então dividida. O capitulo 11 de Ge, narra como tal divisão sucedeu.

Ora, deslocando-se e espalhando-se em direção do oriente, os homens descobriram uma planície na terra de Babilônia e depressa a povoaram. E começaram a falar em construir uma grande cidade, para o que fizeram tijolos de terra bem cozida para servir de pedra de construção e usaram betume em vez de argamassa. E nessa cidade projetaram levantar uma torre altíssima que chegasse até aos céus, qualquer coisa que se tornasse um monumento a si próprios, tornado célebre os seus próprios nomes. Isto, disseram, impedirá que nos espalhemos ao acaso pela terra toda.

Tal projeto, muito provavelmente, foi intentado sob a chefia (ou reinado) de Nimrod (também grafado Ninrode ou Nemrod), que é um personagem biblico descrito como o primeiro poderoso na terra (Ge 10:8; 1Cr 1:10). Filho de Cuxe, que era filho de Cão, que era filho de Noé. Segundo a Wikipédia, os escritos rabínicos derivaram o nome Ninrode do verbo hebraico ma·rádh, que significa "rebelar". Assim, o Talmude Babilônico (Erubin 53a) declara: "Então, por que foi ele chamado de Ninrode? Porque incitou todo o mundo a se rebelar (himrid) contra a Sua soberania (contra a sabedoria e Deus).

Sobre este homem, Josefo escreveu: "Pouco a pouco, transformou o estado de coisas numa tirania, sustentando que a única maneira de afastar os homens do temor a Deus era fazê-los continuamente dependentes do seu próprio poder. Ele ameaçou vingar-se de Deus, se Este quisesse novamente inundar a terra; porque construiria uma torre mais alta do que poderia ser atingida pela água e vingaria a destruição dos seus antepassados. O povo estava ansioso de seguir este conselho, achando ser escravidão submeter-se a Deus; de modo que empreenderam construir a torre [...] e ela subiu com rapidez além de todas as expectativas." — Jewish Antiquities (Antiguidades Judaicas), I, 114, 115 (iv, 2, 3)

O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que estavam a levantar e concluiu: se isto é o que eles já são capazes de fazer, sendo um só povo com uma só língua, não haverá limites para tudo o que ousarem fazer. Vamos descer e que a língua deles comece a diferenciar-se noutras línguas, de forma que uns não entendam os outros.

E foi dessa forma que o Senhor os espalhou sobre toda a face da terra, tendo cessado a construção daquela cidade. Por isso ficou a chamar-se Babel , porque foi ali que o Senhor diferenciou a língua dos homens, e espalhou-os por toda a terra.

Desde Adão, passando por Noé, seguido por Sem, após uma longa linhagem, chegamos a Abrão; O pai de Abrão, de nome Terá, saiu de Ur, que ficava na terra dos caldeus, sendo esta uma importante cidade do sul da Mesopotâmia e às margens do rio Eufrates. A Bíblia nos revela em Ge 11:31 que o destino final de Terá deveria mesmo ser Canaã, mas que de fato ele acabou vindo a se fixar em uma nova localidade, de nome Harã. Terá levou Abrão e Sarai consigo. Também levou seu neto, Ló, porque o pai de Ló, filho de Terá e irmão de Abrão, de nome Harã, havia morrido em Ur.

Estevão, de modo formidável nos revela que Deus apareceu a Abraão quando ele ainda estava em Ur dos Caldeus, ou seja, “enquanto ele estava na Mesopotâmia, antes de fixar residência em Harã” (At 7:2). Aqui vemos que Terá, pai de Abrão, saiu dali, com toda sua família, para ir à terra de Canaã, talvez movido por este chamado de Abrão, mas pararam em Harã, que ficava a uns 850 km a noroeste de Ur, e ali ficaram.

Segundo a Wikipédia, Harã, (em hebraico: חרן, harran, conhecido na antiguidade como Carrhae), é atualmente um sítio arqueológico no sul da Turquia. Harã também é o nome do irmão de Abrão (pai de Ló), falecido jovem quando o seu pai, Terá, ainda se encontrava em Ur dos caldeus. Tal fato explica o motivo do nome do lugar, pois, segundo o texto bíblico, Terá deixou Ur com Abraão, Naor, Ló e Sara com destino à Canaã, mas acabou estabelecendo-se num local que, apesar de chamar-se originalmente Carrhae, passou a ser denominado de Harã, em homenagem ao filho falecido.

Vemos aqui, que Deus já começava a trabalhar na vida de Abrão para levá-lo para a terra da promessa, mas seu pai não entendia isso com clareza e acabou atrasando este trabalho. O próprio Abrão não compreendera a dimensão da importância do chamado de Deus, se fixando em Harã junto com seu pai, de modo que, assim, Abrão precisou ser chamado duas vezes.

Com isso, nós podemos concluir que nenhuma outra pessoa pode impedir algum plano de Deus em nossas vidas, todavia, por estamos associados intimamente tal pessoa, esse alguém pode trazer atraso no plano de Deus. Assim, um parêntese se abriu na vida de Abrão até que Terá morreu, de modo que Terá não chegou a Canaã, pois morreu em Harã.

Não é possível precisar, nem mesmo a grosso modo, quanto tempo se passou desde o dia em que Deus fez diferenciar a língua falada pela humanidade, dispersando os seres humanos em diferentes nações, até o próximo evento importante, que é quando Deus chama a Abrão pela primeira vez.

No entanto, é possível sim, seguindo os eventos genealógicos desde Ge 11:10 até Ge 12:4 calcular o exato tempo entre o evento do dilúvio e a resultante partida de Abrão de Harã após Deus fazer a sua segunda chamada: transcorreram-se 367 anos. Portanto, foi um longo tempo, em que Deus interveio muito pouco nas questões humanas, de modo que, a obediência de Abrão, em atender ao segundo chamado de Deus, é um marco importante. De fato, nesta ocasião, no encontro entre Deus e Abrão, Ele tomou três iniciativas: Fez um chamado (Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.), fez uma promessa (e far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome) e fez um desafio: e tu serás uma Benção! (Gn 12:1-3).

É quando chego ao meu Passo 6 e 7, que eu, adicto em recuperação, me vejo nas condições semelhantes a de Abrão no momento do seu segundo chamado, no momento em que me é dada mais uma derradeira chance, em que eu tenho que escolher abandonar, que eu tenho que optar por abdicar dos meus próprios objetivos limitados e avançar em direção à perfeita vontade de Deus para comigo. Olho então para o sexto passo e concluo que a boa vontade é indispensável.

Será que se Abrão tivesse seguido apenas parcialmente ao seu segundo chamado da parte de Deus, ele teria tido, posteriormente, outras chances extra de fazê-lo? O Senhor é bom e Sua misericórdia dura para sempre, todavia, não devemos tentar ao Senhor nosso Deus, relembro que nem mesmo Jesus, o filho unigênito, ousou fazer isso.

Ao que tudo indica, depois de Noé, nenhum outro homem havia tido ainda o privilégio de “falar com Deus”, isto só vinha a acontecer novamente agora, com Abrão. Fora o fato de que Deus dividiu a humanidade segundo as línguas, pouco Ele havia intervindo por um longo período na história humana e a falta de contato íntimo apaga qualquer temor, em outras palavras, quando Deus insta Abraão a deixar o conforto da sua casa e da sua parentela, por que ele deveria ele acatar?

Todavia, como sabemos, Abraão acatou e pouco depois, Abraão e os de sua casa saíram de Harã e partiram para Canaã. Ali Jeová disse: ‘Esta é a terra que darei aos seus filhos.’ Abraão ficou em Canaã e viveu em tendas. Deus passou a ajudar a Abraão, e este veio a ter muitos rebanhos de ovelhas e de outros animais, e centenas de servos. Abração passou a ser tido como amigo de Deus.

A história da chamada de Abrão serve como base para duas lições importantes:

Em primeiro lugar aprendemos que, no relacionamento entre o homem e Deus, é sempre Deus quem toma a iniciativa. De fato, o livro de Josué nos revela que Abrão pertencia a uma família pagã, que adorava falsos deuses (Js 24:2). Somente por iniciativa do Deus verdadeiro aquele homem virou as costas para a religião de sua família e se tornou obediente ao Senhor. Quer maior eliminação de defeito de caráter do que essa, a de deixar de adorar coisas que não são deus para passar a adorar e obedecer ao verdadeiro Deus amoroso.

É sempre Deus quem dá o primeiro passo na busca do homem perdido já que, como ensina Paulo, "não há ninguém que tenha perspicácia, não há ninguém que busque a Deus." (Rm 3:11). Lembremos ainda que Jesus ensinou isso claramente quando disse: "Ninguém pode vir a mim, a menos que o Pai, que me enviou, o atraia; ..." (Jo 6.44). Assim, aqueles que buscam a Deus e andam com Ele devem reconhecer com humilde e gratidão que só fazem isso porque o próprio Senhor, por sua graça e misericórdia, um dia os impulsionou. Assim Deus elimina do coração do homem uma grave imperfeição, por semear nele a humildade.

Em segundo lugar, a história da chamada de Abrão nos ensina algo sobre “fé”. De fato, o autor da carta aos Hebreus nos diz: "Pela fé Abraão, quando chamado, obedeceu, saindo para um lugar que estava destinado a receber em herança; e ele saiu, embora não soubesse para onde ia." (Hb 11:8). Nesse texto, vemos a forte conexão entre fé e obediência. Não se trata de uma obediência qualquer, mas uma obediência que se realiza, mesmo quando aquele que crê não entende o que Deus tem em mente.

Assim, o homem de fé é aquele que obedece mesmo sem compreender as razões ou os propósitos das orientações de Deus. Ele obedece porque sabe que Deus é Deus e que seus caminhos não podem ser submetidos ao julgamento da limitada mente humana: é a fé da obediência incondicional. Assim, Deus eliminou qualquer traço de imperfeição da rebeldia e despertou a fé genuína de seu amigo Abrão.

Com isso, Abrão desenvolveu-se como um dos maiores homens de todos s tempos, um homem centrado, um homem dado a assertividade, que sabia de verdade o que queria e aonde queria chegar; que partia sempre de um pensamento realmente positivo; que sabia ser proativo para atingir os resultados.

Além de estimado pelo seu próprio Deus, Abrão se tornou um homem de grande autoestima, de enorme determinação, um homem que desenvolvia empatia com facilidade, um homem mais sociável, de maior adaptabilidade, maior autocontrole, tolerante a frustrações (dotado de resiliência), capaz de aceitar que não se pode apenas ouvir “sim”, pois exite o “não” que é pertinente e justo. Isto significa aceitar a diversidade humana.

Existem pessoas mais resistentes à frustração que outras. Algumas pessoas passam por problemas sérios, morre-lhes um ente querido, são demitido de bons empregos, leva um fora de uma namorada, mas ficam firmes. Estes são os resilientes. Tem crianças que viveram maus tratos, pobreza, ambiente familiar conflituoso e ainda assim, se tornaram adultos bem ajustados. Novamente são os resilientes. Outros, se descompensam com qualquer coisa, nas suas relações com outros homens não conseguem ser como Abrão, não conseguem ser assertivos e manter-se no justo meio termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressão), outro por falta (submissão).

Se você já é como Abrão, parabéns, se não, saiba que nem tudo está perdido, há como desenvolver resistência à frustração (resiliência) e assertividade, há como aprender a vencer as frustrações da vida e ter relacionamentos bem sucedidos. Busque com sinceridade a ajuda de Deus, peça a Ele de contínuo, por ajuda, Ele por fim ouvirá ao seu clamor aflito e dará o primeiro passo em sua direção, de modo que, você passará também a ser um escolhido dEle.

Antes de tudo, procure sempre se lembrar: … aquele que olha de perto para a lei perfeita que pertence à liberdade (que é a Bíblia, a Palavra de Deus) e que persiste nisso, este, porque se tornou, não ouvinte esquecediço, mas fazedor da obra, será feliz em fazê-la. (Tg 1:25).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Niilismo: doença da má vontade humana e do esgotamento dos projetos políticos


O mundo que a humanidade criou não é bom em sua essência e a vida nele não é bela, e quem insiste em afirmar o contrário disso, ou mente para os outros ou tenta enganar a si próprio. A sociedade está afetada de profundos males. O espetáculo das corrupções, do impudor, que em torno de nós se ostentam, a febre das riquezas, o luxo insolente, o frenesi da especulação que, em sua avidez, chega a esgotar, a estancar as fontes naturais da produção, a miséria, a violência, o tráfico e a dependência de drogas, tudo isso enche de tristeza o pensador.

Seria tal resultado o fruto do simples acaso, reflexo da irremediável inadequação e incapacidade humana para a felicidade, ou será que tal resultado está consoante com o interesse de quem governa o mundo?

Apesar dos esforços de pessoas bem-intencionadas, o mundo tem sofrido terrivelmente no decorrer da sua história. Isto faz com que pessoas refletivas se perguntem: “Paz na Terra” – quase todo mundo deseja isso. “Boa vontade para com os homens” – quase todos os povos do mundo nutrem tal sentimento de uns para com os outros. Então, o que há de errado? Por que se fazem ameaças de guerra apesar dos desejos inatos dos povos?”

Parece um paradoxo, não parece? Ao passo que o desejo natural das pessoas é viver em paz, elas comumente se odeiam e matam umas às outras – e com tanta depravação! Considere as monstruosas crueldades cometidas a sangue frio. Os seres humanos têm usado câmaras de gás, campos de concentração, lança-chamas, bombas napalm e outros hediondos métodos para torturar e matar uns aos outros sem piedade, crimes comuns como assassinatos e latrocínios ocorrem diariamente de forma banal.

A questão é: será que devemos crer que os seres humanos, que anseiam a paz e a felicidade, sejam capazes, por si sós, de cometer tão crassa perversidade uns contra outros, seus semelhantes? Já se perguntou alguma vez se existe alguma força que impulsiona ou que direciona os seres humanos a atos repulsivos? Se existe alguma força perversa, invisível, que influencia as pessoas a cometerem tais atos de violência, fazendo-as sentirem-se compelidas a tais atrocidades? Existe poder exterior capaz de conduzir uma mente humana a loucura e a insanidade?

Quem realmente governa o mundo? Muitos, notadamente as pessoas mais simples, responderiam à pergunta acima com uma só palavra – Deus. Mas é significativo que em parte alguma a Bíblia, que é a Palavra de Deus, nos afirme que Jesus Cristo ou seu Pai sejam os verdadeiros governantes deste mundo. Ao contrário, Jesus disse: “Será lançado fora o governante deste mundo.” E acrescentou: “O governante do mundo está chegando. E ele não tem nenhum poder sobre mim.” – Jo 12:31; 14:30; 16:11. Dai, eu concluo que o governante deste mundo esteja, de fato, operando em oposição a Jesus.

Eu creio que a Bíblia nos mostra claramente que há alguém inteligente, invisível, controlando tanto homens como nações. Ela nos diz: “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” E a Bíblia o identifica-o, dizendo: “O chamado diabo e satanás... está desencaminhando toda a terra habitada”. – 1 Jo 5:19; Re (Ap) 12:9.

Certa ocasião, ao ser “tentado pelo diabo”, Jesus não contestou o papel de Satanás como governante desse mundo. A Bíblia explica o que aconteceu: “O diabo levou-o a um monte extraordinariamente alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e disse-lhe: “Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.” Jesus disse-lhe então: “Vai-te, satanás!” – Mt 4:8-10.

Pense nisso, satanás tentou Jesus por oferecer-lhe “todos os reinos do mundo”. Mas, teria a oferta de satanás constituído uma genuína tentação se satanás não fosse realmente o governante daqueles reinos? Não, não teria. E note que Jesus não negou que todos aqueles governos do mundo pertencessem a satanás, o que certamente teria feito se satanás não tivesse poder sobre eles. Assim sendo, satanás, o diabo, é realmente o governante desse mundo! De fato, a Bíblia o chama de “o deus deste sistema de coisas”. (2 Co 4:4).

Deste modo, o mundo que conhecemos e que vivemos (não o planeta Terra em si, ou a sua natureza, mas os sistemas e os modos de vida humanos) é hoje um lugar ruim, desagradável e fonte de malefícios para os próprios seres humanos. Não é a toa que, em seu desespero, por viver sob tais circunstâncias, os homens, sob a influência e interesse do governante deste mundo, inventem coisas do tipo do conceito filosófico do niilismo, criado no século XIX e que afeta as mais diferentes esferas do mundo contemporâneo (literatura, arte, ciências humanas, teorias sociais, ética e moral).

O niilismo é a desvalorização e a morte do “sentido da vida”, a ausência de “finalidade” e de resposta ao “porquê”. Os valores tradicionais depreciam-se e os "princípios e critérios absolutos dissolvem-se". Segundo o conceito filosófico do niilismo, "tudo é sacudido, posto radicalmente em discussão. A superfície, antes congelada, das verdades e dos valores tradicionais está despedaçada e torna-se difícil prosseguir no caminho, avistar um ancoradouro". Pela sua forma de abordagem crítica, o niilismo leva o homem a acreditar na “abissal ausência de cada fundamento, de cada verdade, de cada critério absoluto e universal” e, convoca-os, por fim, a assumir total controle da sua “própria liberdade e responsabilidade, agora não mais garantidas, nem sufocadas e nem controladas por nada".

Mas, nesta dinâmica prevalecem também traços destruidores, como os do declínio, do ressentimento, da incapacidade de avançar, da paralisia, do “vale-tudo” e do perigoso silogismo ilustrado pela frase do personagem de Dostoiévski: "Se Deus está morto, então tudo é permitido". Entende-se por Deus neste ponto como a verdade e o princípio, que se esvaziaram, segundo o entendimento do niilismo.

Assim, o niilismo é, em suma, a “arte de negar a Deus”, todavia, a negação de Deus, já existia, muito tempo antes do niilismo ser inventado. De fato, até mesmo o primeiro homem que veio a existência, negou ao seu Deus criador, desprezou-lhe a soberania por desobedecê-lo em uma única proibição restritiva que Ele estabelecera. E, como consequência de nossa queda por desobediência, desde o princípio orquestrada pelo governante deste mundo, é que Deus passou nos instar continuamente: “Sê sábio, filho meu, e alegra meu coração, para que eu possa replicar àquele que me escarnece.” - Pr. 27:11 e ainda nos esclarece, assim como confessou o profeta Jeremias: “Eu sei, ó Senhor, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha o dirigir os seus passos” - Jr 10:23.

Friedrich Nietzsche, um influente filósofo alemão do século XIX, que intitulou a si próprio, a seu tempo, de “o primeiro niilista de fato”, pretendeu ser o grande "desmascarador" de todos os preconceitos e ilusões do gênero humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos, por trás das grandes e pequenas verdades melhor assentadas, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos.

A cultura ocidental e suas religiões, assim como a moral judaico-cristã, foram temas comuns nas obras de Nietzsche, que também se intitulava ateu: "Para mim o ateísmo não é nem uma consequência, nem mesmo um fato novo: existe comigo por instinto". Aos 35 anos de idade seu estado de saúde obrigou-o a deixar o seu posto de professor de filologia na universidade de Basileia, pois sua voz, inaudível, afastava os alunos. Nietzsche começa então a escrever em um ritmo crescente, manobrando a língua alemã escrita como ninguém antes, e, aos poucos vai sendo devastado por uma miopia que atinge até 15 graus, que o fazia andar como que às cegas, tateando com as mãos ou com a bengala o perigoso espaço embaçado que imaginava na sua frente, até que, em 3 de Janeiro de 1889, quando, aos 44 anos de idade foi acometido de uma "crise de loucura" que o coloca sob a tutela da sua mãe e de sua irmã, até a sua morte, aos 55 anos de idade.

No niilismo, o mundo não tem ordem, estrutura, forma e inteligência. Nele, as coisas "dançam nos pés do acaso" e somente a arte pode transfigurar a desordem do mundo em beleza e fazer aceitável tudo aquilo que há de problemático e terrível na vida. A verdade é sempre subjetiva"; "Deus está morto: não existe qualquer instância superior, eterna. O Homem depende apenas de si mesmo";

Para Nietzsche, a liberdade não é mais que a aceitação consciente de um destino necessitante. O homem libertado de qualquer vínculo, senhor de si mesmo e dos outros, o homem desprezador de qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer e estar apto para se exprimir a vida, em todos os seus atos - era este não apenas o ideal apontado por Nietzsche para o futuro, mas a realidade que ele mesmo tentava personificar.

"'Que é o bom?' − diz Friedrich Nietzsche [em O Anticristo].
− O poder!

Que é o mau?
− A fraqueza!

Que é a felicidade?
− O sentimento de que o poder se engrandece, de que foi superada uma resistência. Comedimento, não; porém mais poder; não a paz antes de tudo, mas a guerra; não a virtude, mas o valor! Pereçam os fracos e os estropiados. E que ainda os ajudemos a desaparecer.

Que pode haver de mais pernicioso do qualquer vício?
− A piedade pelos fracos e desclassificados!”

Eis aí, o que os escritores e filósofos materialistas difundem nas folhas públicas. Têm eles verdadeiramente consciência da responsabilidade que contraem? Consideram a safra que tal sementeira produzirá? Sabem que, vulgarizando essas doutrinas desesperadoras e iníquas, metem na mão dos deserdados a tocha dos incêndios e os instrumentos de morte?

Essas doutrinas parecem, a primeira vista, ser inofensivas e ter a propriedade de acalmar ou fazer cessar as dores, inofensivas aos felizes, aos satisfeitos, aos céticos que gozam, que possuem com o necessário o supérfluo, e com elas justificam todos os seus apetites, desculpam todos os seus vícios; mas os que a sorte fere, os que padecem e sofrem, que uso, que aplicação farão de tais doutrinas?

A enorme polêmica que envolve até hoje a real importância do pensamento de Nietzsche para o surgimento do nazismo, ou pelo menos fornecendo-lhe o vocabulário estridente e várias expressões ideológicas, nos obriga a arrolar a evidente similitude do pensamento nietzscheano com o que veio a acontecer depois na Alemanha de 1933. Afinal, a irmã dele, Elizabeth Vöster-Nietzsche deu a bengala do filósofo de presente para Hitler, quando ele visitou-a em Weimar em 1932. Para ela, aquele presente foi um símbolo que representou a transmissão de uma missão! Do teórico ao prático. Do filósofo, que passara os seus últimos anos de vida alienado e entrevado, ao homem capaz de ação efetiva.

Ao que parece, Friedrich Nietzsche não era a princípio antissemita, apenas anticristão, entretanto parece que Elizabeth Nietzsche, durante os anos que tomou conta do irmão, aproveitou-se da condição física do mesmo para modificar os trabalhos que ele havia escrito, principalmente os trabalhos relacionados a sua posição perante outras raças, mudando assim o sentido de muitas de suas dissertações e teorias. É de conhecimento público o apreço que ela tinha pelo antissemitismo.

Algumas errôneas ciências, que buscam se identificar como ciências da matéria mas que, e fato, são humanas e em nada têm a ver com as ciências físicas, com as suas implacáveis afirmações, com as suas inexoráveis leis da hereditariedade e do atavismo, quando ensina que a fatalidade e a força regem o mundo, aniquila todo impulso, toda energia moral nos fracos e nos deserdados da existência; faz penetrar o desespero no lar de inúmeras famílias e instila o seu veneno até o âmago das sociedades!

Os materialistas, ao esforçarem se em apagar o nome de Deus no coração do povo, dizendo-lhes que tudo se resume nos prazeres da Terra; que todos os apetites são legítimos e que a vida é uma sombra efêmera, fazem o povo assim acreditar; calando-se as vozes íntimas que lhe falavam de esperança e de justiça. As almas fecharam-se à fé, para se abrirem às más paixões: o egoísmo que expulsa a piedade, o desinteresse e a fraternidade e a paixão pela destruição, por si só, é tida uma paixão criativa.

Apesar de Nietzsche ter visto Bakunin como um teórico do ressentimento ou desejo reativo, as suas próprias teorias herdaram daquele muito da sua essência, não apenas no que diz respeito das relações do homem com o seu poder superior, o seu Deus, como também para a doutrina das interações humanas contida nela. Para Bkunin, "(...) se Deus existisse, só haveria para ele um único meio de servir à liberdade humana: seria o de cessar de existir."

Sem ideal em sua triste vida, sem fé no futuro, sem luz moral, o homem retrocede-se ao estado bestial; sente o despertar dos seus ferozes instintos, entrega-se à cobiça, à inveja, aos arrastamentos desordenados. E agora, as feras rugem na sombra, tendo no coração o ódio e a raiva, prontas a despedaçar, a destruir, a amontoar ruínas sobre ruínas, ao comando do interesse do verdadeiro governante deste mundo.

O homem hipermoderno substitui a autoridade divina pela História, pela tecnociência, a razão e o progresso. Iludido de que é livre em função das possibilidades que a sociedade de consumo oferece, esse homem tem no individualismo o cerne de suas relações sociais, “apesar de um discurso vago e propagado de solidariedade, numa era de democracia digital”.

A ideia do Super-homem de Nietzsche era de um ser que haveria alcançado o estágio superior, separando-se da piedade, do sofrimento, da tolerância e da fraqueza. O super-homem também não acreditaria em Deus, aproveitando o máximo de sua vida, sendo também capaz de determinar o bem e o mal sem a intromissão de nada exterior a ele. A felicidade desse super-homem só seria alcançada pela capacidade de determinar seus próprios valores, que deveriam estar sempre em estado constante de mudança, que para Nietzsche era a fonte do prazer.

Isso equivale a estender a máxima de Bakunin quando aquele afirma que: "A Liberdade do outro estende a minha ao infinito." Todavia, como na ordem das coisas tudo se encadeia, tudo produz os seus frutos, o mal profusamente semeado parece, de modo natural, atrair após si a dor e a tempestade. Esse é o aspecto formidável da situação. Parece que aos poucos vamos atingindo não a verdadeira paz mas, uma hora sombria da História humana.

Desgraçados dos que sufocaram as vozes da consciência, que assassinaram o ideal puro e desinteressado, que ensinaram ao povo que tudo era matéria, e a morte, o nada! Desgraçados dos que não quiseram compreender que todo ser humano tem direito à existência, à luz e, mais ainda, à vida espiritual; que deram o exemplo do egoísmo, do sensualismo e da imoralidade! "Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.” (Mat. 5:3)

Contra essa sociedade que não oferece ao homem nem amparo, nem consolação, nem apoio moral, uma tempestade furiosa se prepara, ainda maior que todas as tempestades que se levantaram outrora. Raios do seio das multidões, por vezes continuam a fuzilar, a hora da cólera se avizinha. Porque não é sem perigo que se comprime a alma humana, que se impede a evolução moral do mundo, que se encerra o pensamento no círculo de ferro do ceticismo e do negativismo.

Chega um dia em que esse pensamento retrocede violentamente, em que as camadas sociais são abaladas por terríveis convulsões e não se pode culpar a ninguém disso, a não ser a consequência do proceder do próprio homem.

Ergue, porém, a tua fronte, ó homem! Recobra a esperança. Um novo clarão vai descer dos espaços e iluminar o teu caminho. Tudo o que até agora te ensinaram era estéril e incompleto. Os materialistas não perceberam das coisas mais que a aparência e a superfície. Eles não conhecem da vida infinita senão os aspectos inferiores. O sonho deles é um pesadelo.

Quanto a mim, eu vou continuar esperando no Senhor, confiando Nele, pois sei que o mais Ele o fará. Eu e minha casa serviremos ao Senhor. Assim, como eu espero no Senhor, em tudo, o Senhor também espera de mim algumas coisas simples: "Já te foi dito, ó homem, o que convém, o que o Senhor reclama de ti: que pratiques a justiça, que ames a bondade, e que andes com humildade diante do teu Deus." Mq 6:8.

domingo, 24 de julho de 2011

CPI do BANESTADO (2002/2003): Quando o PT do Lula perdeu sua grande chance!


Ao assumir as rédeas do poder executivo federal em 2003, o PT - Partido dos Trabalhadores - fez uma opção pela continuidade, e não pela ruptura com os antigos regimes, enterrando a CPI do Banestado.


Disse-me também o SENHOR: Toma uma ardósia grande e escreve nela de maneira inteligível: Rápido-Despojo-Presa-Segura. Tomei para isto comigo testemunhas fidedignas, a Urias, sacerdote, e a Zacarias, filho de Jeberequias. Fui ter com a profetisa; ela concebeu e deu à luz um filho. Então, me disse o SENHOR: Põe-lhe o nome de Rápido-Despojo-Presa-Segura (ou "Apresse o Espólio, Acelere o Saque"). Isaías 8:1-3.

Estes versos da Bíblia, referentes ao nome dado ao segundo filho do profeta Isaías (Maher-shalal-hash-baz), refletem em sua simplicidade, um princípio básico da estratégia da arte da guerra. Havendo oportunidade, os combates devem ser rápidos, a vitória fulminante e com o menor custo possível.

O governo Lula teve esta oportunidade, de liquidar e fazer calar a seus opositores políticos. A batalha, que não houve, era contra o PFL e seu aliado, o PSDB. O momento foi a CPI do BANESTADO, o ano o de 2003, auge do capital político e popularidade de Lula.

Naquela conjuntura, o Planalto preferiu negociar a aprovação da reforma da Previdência, transformando em pizza mais um escândalo de evasão de divisas do país (o segundo maior de toda a sua história): Afastou o delegado José Francisco de Castilho Neto e sua elogiadíssima equipe de peritos e agentes. Estes federais ganharam o respeito rastreando o caminho do dinheiro, indo investigar nos Estados Unidos: O prêmio ao retornarem para o país, foi o descrédito e a geladeira.

Lula tinha a faca e o queijo na mão, mas escolhera mal seus executores, pois fez alianças por dentro do mundo policial com o grupo anterior. E ainda, apenas para manter o padrão de sua trajetória política, hesitou em atirar na hora certa. Dois anos depois, chorou a chance perdida e quase viu tudo ruir, com a CPI do mensalão.

Na frente operacional, escolheu um grupo de confiança continuísta. A começar pelo diretor-geral da Polícia Federal (PF), indicado pelo ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e respaldado pelo PFL. O delegado Paulo Lacerda, foi mais um dos federais fiéis ao grupo de Romeu Tuma, sendo que o próprio Lacerda fora assessor parlamentar de Tuma por longos seis anos. A gestão e presença de Romeu Tuma foi um divisor de águas dentro da mais respeitada e capaz instituição policial do país.

O ex-diretor do DOPS de São Paulo deparou-se, há 26 anos atrás, com uma PF civil, judiciária, altamente operacional, em vias de sindicalização e com ideologia constitucionalista. Para amparar-se, apoiou-se num tripé: - as prerrogativas dos militares; - a lealdade ao Palácio do Planalto; - a cobertura aos delegados da velha guarda. Boa parte dos conflitos internos da PF tiveram aí a sua origem.

Para culminar os erros, a lealdade da PF não foi inteiramente garantida. Muito em função de dois movimentos do titular do MJ:

O primeiro foi a demissão, ainda em 2003, de Luís Eduardo Soares, homem com trânsito nas federações e sindicatos de peritos e agentes, e apoiador destes servidores na mudança da Lei Orgânica, que rege a Polícia Federal. Caso a alteração fosse aprovada, a PF teria implantado o modelo do FBI, com academia e cargo inicial únicos. Seria o fim dos poderes atribuídos aos delegados, completando a medida iniciada com a Constituição de 1988, que já retirara destes o poder de prender para averiguação.

A segunda foi o endurecimento na greve dos agentes, papiloscopistas e peritos federais, iniciada em abril de 2004. Com a derrota do movimento grevista da PF, os setores mais ativos da corporação se distanciam do governo, entregando-o à própria sorte. Lula ficou, então, à mercê da vontade política da dupla Romeu Tuma e Paulo Lacerda, e seu corpo de diretores, superintendentes e delegados leais aos “velhos tempos”.

Não por acaso, a montagem do flagrante nos Correios, que deu inicio a CPI do mensalão, partiu da ABIN. Se fosse apenas um caso de corrupção, uma sindicância aberta e posteriores investigações da PF resolveriam o assunto. Com o flanco operacional desguarnecido, puseram a bomba relógio chamada Maurício Marinho no colo de Roberto Jefferson. Este, ao ver-se abandonado pelo então chefe de governo José Dirceu, a atira de volta. A partir daí a história já é mais do que conhecida.

Voltando ao flanco político, especificamente ao Congresso e a CPI do Banestado, observamos o seguinte:

Sem vontade política para apurar, com medo de desagradar ao sistema financeiro, apavorado com a hipótese de pôr grandes instituições em rota de colisão com o Banco Araucária e o Banestado na gestão do governador Jaime Lerner (PFL-PR), a maioria do governo concorda em arquivar a CPI.

Vale lembrar, investigações preliminares indicaram um desvio de mais de US$ 30 bilhões de dólares entre roubo aos cofres públicos e evasão de divisas através das famosas contas CC-5. Ainda assim, Sarney e Mercadante prepararam a pizza. Dois anos depois, os ventos mudaram e a pizza azedou. Tivessem emparedado o senador Jorge Bornhausen (PFL/SC), este teria renunciado e não partido para cima do governo, conforme o mesmo declarou, disposto “a acabar com essa raça petista”.

Vale lembrar, em 2003, o governo Lula tinha um rolo compressor no Congresso. Para demarcar o terreno da rinha, uma esporada precisa alcançava e resultava. Não precisaria nem ressuscitar investigações arquivadas no governo FHC, tais como: a compra de votos para a emenda da reeleição; a fraude no leilão do Sistema Telebrás, conhecido como o grampo do BNDES; a CPI do sistema financeiro, quando Salvatore Cacciola pagou o pato sozinho por mais de 1.200 pessoas físicas e jurídicas que lucraram, e muito, com a desvalorização do Real; isso sem falar em privatizações escandalosas como a da Cia. Vale do Rio Doce. Bastava um tiro e este não foi dado.

Um dos problemas da “esquerda”, quando ela se posiciona mais à direita, é o fato desta nova fração de classe dirigente, tentar se confundir e entrosar com a direita orgânica. Os operadores políticos do governo podem querer fazer parte do time, mas destes, só Palocci entrou pra valer, na ocasião, para o clube dos eleitos e favoritos. Os demais são uma moda passageira, que ao primeiro descuido, serão combatidos com a tenacidade de sempre. A equipe original de Lula (e de José Dirceu) confundiu-se com a direita, lavando o discurso, rebaixando a plataforma e até adotando alguns de seus métodos. Só esqueceu do principal, de assegurar com tenacidade a vitória, quando esta esteve a cair de madura (Maher-shalal-hash-baz, dizia-lhes, mas não ouviram ao Senhor)

Tamanha displicência em um governo com políticos tão experientes, recheado de ex-guerrilheiros, é quase inexplicável. Basta recordar o que fez José Serra em 2002 para entender o que dizemos. Com um tiro certeiro, Serra tirou a aliada Roseana Sarney do páreo. Bastou rosnar para os correligionários Paulo Renato e Tasso Jereissati e os dois tiraram o time de campo.

A CPI do Banestado foi a batalha que o governo Lula, em nome da pressuposta governabilidade, abdicou de ganhar. Isso não custou a amarga mazela do governo e do partido se esvair em sangue, pouco a pouco, com funeral em 2006, como pretendiam seus reais adversários (o PT hoje, diante de toda incredulidade, se encontra na 3º gestão presidencial consecutiva, o que lhes aumenta ainda mais a estupidez), todavia, custou de certo, ao partido e particularmente ao Sr. Luiz Inácio da Silva, o direito de mudar verdadeiramente, do ponto de vista político, a história do Brasil. Nunca mais o PT teve ou terá outra chance igual ... nunca mais!

Uma consequência de tanta complacência injusta, fez resultar no alongamento da história do doleiro do Banestado (escândalo de corrupção originado no tempo do governo do PSDB), chegando praticamente incólume ao Petrolão, passando pelo Mensalão (estes últimos, ambos escândalos de corrupção da era petista), a longa ficha corrida do "fora da lei profissional" Alberto Youssef, especialista em roubar o Brasil (junto com banda podre dos políticos) e sempre fazer "bons acordos" com a Justiça.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Dons e milagres: O sobrenatural no cristianismo.

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Muitos dos que defendem o cristianismo estão divididos em suas opiniões. Alguns aceitam como fatos os relatos bíblicos sobre os milagres realizados por Jesus ou pelos servos de Deus dos tempos pré-cristãos.

No entanto, muitos concordam com o reformador protestante Martinho Lutero. Sobre ele, “The Encyclopedia of Religion”, diz: “Tanto Lutero como Calvino escreveram que a era dos milagres findou e, por isso, as pessoas não deviam mais esperar que eles ocorressem”.

A Igreja Católica sustentou sua crença em milagres “sem tentar explicar como eles aconteceram”, diz essa obra de referência. Contudo, “a comunidade protestante acadêmica chegou à conclusão de que a prática do cristianismo era, principalmente, uma questão de moralidade (ética protestante), e que nem Deus nem o mundo espiritual se comunicavam ou influenciavam de forma significativa o dia-a-dia do ser humano, criando intensas ansiedades no indivíduo, cujo meio prático de reduzir tomou a forma de um empenhamento sistemático para uma chamada, ou seja, ao trabalho árduo, frugalidade, e autodisciplina, refletindo em recompensas materiais que não são consumidas pessoalmente, mas guardadas e que são reinvestidas. ”.

Outros, professos cristãos, incluindo alguns clérigos, duvidam que os milagres mencionados na Bíblia tenham sido reais. Por exemplo, tome o caso da sarça ardente, mencionado na Bíblia em Ex 3:1-5. O livro “O Que a Bíblia Realmente Diz” explica que vários teólogos alemães não acham que o relato seja de um milagre literal. Em vez disso, eles o interpretam como “um símbolo da luta interior de Moisés contra sentimentos de remorso e intensa dor de consciência”. O livro ainda diz: “As chamas também podem ser vistas como sendo flores que desabrocham repentinamente diante da luz da presença divina, comparada ao Sol”.

Talvez essa explicação não te satisfaça , assim como não satisfaz a mim, então, em que deveríamos acreditar? Será que é realístico acreditar que os milagres realmente aconteceram? E o que dizer dos milagres atuais? A quem podemos perguntar sobre tais coisas?

Ninguém pode negar que a Bíblia relata que, no passado, Deus realizou atos humanamente impossíveis. Lemos sobre ele: “Passaste a tirar teu povo Israel da terra do Egito, com sinais e “com milagres,” e com mão forte e com braço estendido, e com coisa muito espantosa.” (Je 32:21) Imagine, a nação mais poderosa daquele tempo foi humilhada por meio de dez pragas enviadas por Deus, o que incluiu a morte do primogênito da nação. Realmente, foram milagres! — Ex cap. 7 a 14.

Séculos mais tarde, os escritores dos quatro evangelhos descreveram cerca de 35 milagres realizados por Jesus. De fato, tais narrativas sugerem que ele tenha realizado muito mais milagres do que os que foram mencionados. São esses relatos fatos ou ficção? — Mt 9:35; Lc 9:11.

Se a Bíblia é o que ela afirma ser — “a Palavra de Deus” — então você tem um forte motivo para acreditar nos milagres registrados nela. A Bíblia é clara ao mencionar que no passado ocorreram milagres — curas, ressurreições e coisas assim. A Bíblia menciona diversos tipos de milagres, por exemplo: Ex 7:19-21; 1Re 17:1-7; 18:22-38; 2Re 5:1-14; Mt 8:24-27; Lc 17:11-19; João 2:1-11; 9:1-7.

Muitos desses milagres serviram para identificar Jesus como o Messias e provar que ele tinha o apoio de Deus. Os primeiros seguidores de Jesus mostraram dons milagrosos, como falar em línguas e discernir expressões inspiradas (profecias) . (At 2:5-12; 1Co 12:28-31). No início da congregação cristã, esses dons milagrosos foram úteis, no sentido de que eles testificavam aos não crentes que Deus estava usando a congregação cristã, de que ela era aprovada por Deus.

O relato do dia do Pentecostes diz que uma “multidão” de pessoas que passavam por onde os discípulos falavam em línguas perceberam o sinal. Tanto isso é verdade que naquele dia “acrescentaram-se cerca de três mil almas” à congregação cristã. (At 2:5, 6, 41).

Poucos dias depois de morrer e ser ressuscitado, Jesus ordenou a seus seguidores que ‘fizessem discípulos de pessoas de todas as nações’. Ele também lhes disse para serem suas testemunhas “até à parte mais distante da terra”. (Mt 28:19; Atos 1:8). Existiam poucas cópias das Escrituras Sagradas, geralmente, apenas poucos ricos possuíam rolos ou livros. Além do mais, em terras pagãs não havia nenhum conhecimento sobre a Bíblia ou seu Autor, Jeová, de modo que o ensino cristão era transmitido oralmente.

Para que as boas novas tivessem esse alcance, eles precisariam falar muitas outras línguas além do hebraico. No entanto, muitos daqueles primeiros cristãos eram “indoutos e comuns”. (Atos 4:13). Então, como eles poderiam pregar em lugares distantes onde se falavam idiomas de que talvez nem sequer tivessem ouvido falar? O espírito santo concedeu a alguns desses fiéis pregadores o dom milagroso de pregar com fluência em idiomas que eles nunca tinham aprendido.

Nos dias de hoje, os humanos, por terem obtido cada vez mais conhecimento das leis físicas da natureza, conseguiram chegar realizações que anteriormente eram consideradas impossíveis e muitos a isso também chamam milagres (do ponto de vista puramente humano e carnal), de modo que, mesmo hoje, em meio a um mundo repleto de proezas e realizações humanas surpreendentes e de sonhos e desejos fantásticos para o futuro, os milagres genuinamente espirituais, ainda podem ser muito úteis ao serviço do reino de Deus, seja para confirmar que só o Senhor Jeová é Deus, que só Senhor Jesus Cristo é único e suficiente salvador designado por Deus ou ainda para fornecer provas aos não crentes de que Deus está apoiando os seus servos fieis. De fato, a modernidade acaba por fazer com que, as pessoas caiam em incredulidade e estejam se distanciando, ainda, cada vez mais de Deus.

Eu mesmo não posso me esquecer da realidade dos tempos em que eu vivo em meio a humanidade. Estes tempos atuais são caracterizados por uma guerra espiritual intensa, pois “O mundo inteiro jaz no poder do iníquo.” — 1Jo 5:19. O pode superior iníquo está habilitado a agir de modo espiritual, de modo sobrenatural, e é relativamente poderoso em nosso meio. Nós só temos chances contra ele, se pudermos sempre contar com o Deus criador amoroso, também de um modo genuinamente espiritual, também de um modo sobrenatural. Sim, nós devemos crer em milagres ainda e só o fato de prosseguirmos acordando para a vida a cada dia, já é um milagre, lembrado que somos pó e só estamos de pé pela misericórdia de Deus.

Existem ainda muitos milagres e sinais de poder, relatados na Bíblia, que estão reservados para ocorrerem tanto juntamente com os acontecimentos atuais, quanto com os acontecimentos futuros da nossa história, assim, Deus nos dá os dons espirituais a fim de edificarmos nestes tempos, conforme a sua vontade. Para que Deus nos agracie com a realização de algum milagre, basta tão somente exercermos genuína fé de que Ele pode assim fazê-lo, termos persistência em pedir e paciência de esperar pelo momento oportuno para Ele. Todavia Paulo explicou que os dons humanos para expressar os milagres de Deus cessariam quando estes não fossem mais necessários.

O capítulo 13 de 1Co fala do amor. O verso 8 diz que o amor jamais acaba, mas as outras coisas acabarão. Nosso conhecimento e tudo que fazemos é incompleto, quando o perfeito vier, isso é, Jesus em sua segunda vinda, aquilo que é incompleto em nós será aniquilado. O texto diz também que em parte conhecemos, ou seja, nosso conhecimento jamais será completo, até que Jesus venha novamente: “O amor jamais acaba; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. ” — 1Co 13:8-10.

Hoje as pessoas têm acesso a várias traduções da Bíblia, bem como a concordâncias e enciclopédias. Milhões de cristãos habilitados estão ajudando outros a obter conhecimento de Deus baseado na Bíblia, de modo que, nos dias atuais, a utilidade do dom de línguas, a mim mesmo parece ser algo extremamente limitado e de pouca relevância. Assim, cabe a pergunta: Quem hoje então, dá evidências de ter um “dom excelente” de Deus e do seu Santo Espírito?

Jesus sabia muito bem que sinal, ou marca, identificaria seus seguidores verdadeiros em qualquer época. Ele nos ensinou sobre isso ao dizer:

“Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos”, disse ele, “se tiverdes amor entre vós”. (Jo 13:35).

De modo que, eu sempre pergunto a mim mesmo: De que me vale, expressar em mim mesmo milagres de Deus, se eu de fato não amo ainda em plenitude e verdade?

“O amor” é alistado como o primeiro aspecto do ‘fruto’, ou produto, do espírito santo de Deus. (Ga 5:22, 23). Portanto, os que realmente tivessem o espírito de Deus — e, assim, o apoio dele — mostrariam verdadeiro amor uns pelos outros. Além disso, o terceiro aspecto do fruto do espírito é “a paz”. Desse modo, os que hoje têm o espírito santo se empenhariam notadamente pela paz e pelo amor, e o fazem ainda com alegria, expressando assim o segundo fruto do espírito que é “o gozo, ou prazer”.

Se estamos vivendo por espírito, continuemos também a andar ordeiramente por espírito. Não fiquemos egotistas, atiçando competição entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros. (Ga 5:25-26). Desenvolvamos verdadeiro amor uns para com os outros, mesmo que de modo incompleto e imperfeito, até que venha o que é completo e perfeito!

domingo, 12 de junho de 2011

O Sapo e o Escorpião (Uma “Parábola Africana” Recontada)!


Naqueles dias O Poder Superior Eterno acumulava grande ira por causa da maldade que reinava em toda a Terra e resolveu que era hora de quebrar, para em seguida refazer por inteiro, a sua própria criação.

Então, num repente inesperado e sobrenatural, o dia, que até então era cheio de luz azul e de esplendor de cores, se tornou em sombras e trevas. Surgiram raios e relâmpagos por todo céu. Mas isso era só o começo!

As grandes montanhas passaram a acordar de seu sono milenar e começaram a cuspir fogo sobre a terra w sobre o mar. Chamas ardentes imediatamente tomaram conta de toda a Floresta do Bichos, o principal juntamento de criaturas do planeta.

Em um minuto, aquilo antes, até parecia como um "certo tipo de paraíso", especialmente propício para a prosperidade de aves de rapina, de raposas espertalhonas, e de hienas risonhas, passou a arder em chamas.

Então se ouviu tanto choro, e se viu tanta lágrima, como nunca se ouvira e se vira até então, desde o dia da criação, até aquele dia de grande juízo, pois, até então, lágrimas, mesmo, só se viam nos olhos dos crocodilos, quando estes esforçavam suas mandíbulas, a fim de devorar alguma incauta presa.

Cada criatura passou então a fugir em agonia procurando alguma forma de abrigo. Todos, por instinto, corriam trôpegos em direção ao grande rio, que descia do trono dO Eterno e corria no meio da floresta na margem da qual podia se ver outrora a grande árvore da vida. Um escorpião fêmea corria desesperadamente, pois o fogo a perseguia.

Ela chegou ao fim da linha, pois, logo á sua frente encontrava-se a margem do rio, e ela não sabia nadar! Encurralada entre o fogo e a água, pensou em suicidar-se, enquanto corria, desesperada, em círculos.

Foi quando ela viu um sapo, que se preparava para pular na água e fugir do fogo. Ela então gritou para ele pedindo ajuda e ele então parou, por um instante, sem entender. A escorpião fêmea correu em direção ao sapo que, apesar de ser macho, temeu diante daquela aproximação brusca, pois ele conhecia bem, e instintivamente, a fama dos escorpiões.

Então, mesmo desesperada, a escorpião fez rapidamente seu pedido, com uma voz melosamente afetada:

"Sapo, meu querido sapinho, você poderia me carregar até a outra margem deste rio tão largo?"

O sapo respondeu: "Só se eu fosse tolo ou louco! Pois você irá me picar, eu vou ficar paralisado e vou afundar nas águas do rio."

Então a escorpião insistiu: "Isso é ridículo, gato! Não tem lógica nenhuma lógica. Se eu te picasse, ambos afundaríamos e ambos morreríamos.”

Como o tolo sapo macho, feio e feliz, demonstrou que vacilava, como se ainda duvidasse do seu próprio instinto, a escorpião persistiu: “Estás equivocado em temer-me. Eu desejo atravessar o rio. É meu interesse que você viva para cumprir isto: ajudar-me a me salvar, atravessando o rio"

Confiando na lógica do argumento da escorpião, que parecia fazer todo sentido, o sapo creditou na sinceridade dela e, diante da urgência da situação, o sapo concordou e passou a levar a escorpião nas costas, enquanto nadava para atravessar o rio.

No meio do rio, em plena dramática travessia, a escorpião cravou, de modo resoluto, seu ferrão nas costas do sapo.

Atingido pelo veneno, e já começando a afundar, o sapo voltou-se para a escorpião e perguntou: "Por quê? Por quê? Por que fizeste isso maldita."

E a escorpião respondeu: "Simplesmente por que eu sou uma escorpião e essa é a minha natureza!"

E morreram ambos.



Cada ser humano tem uma índole, uma propensão natural, e ela não muda, a não ser que haja um raro tipo de conversão (não uma conversão típica, mas uma extremamente especial mesmo). Em geral Deus simplesmente permite que pessoas de más índoles sigam em seus destrutivos modos instintivos de viver, e prossigam a caminho de seus fins.

Tal índole, seja boa ou má, é algo que manifesta-se em todas as circunstâncias da vida, até mesmo quando essa manifestação parece contrariar toda a lógica e o bom senso.

Não dá pra ir para a cama com um escorpião sem acabar por ser envenenado e, muitas vezes, terminar encontrando a morte. Quem foi e sobreviveu, pouco importa que outra coisa perdeu, saiba que tem uma enorme dívida de gratidão para com Deus, que interveio para lhe preservar a vida.

Fato é que a pessoa por quem Deus não intervém, e, consequentemente acaba por morrer assim, infelizmente morre pelo resultado das suas próprias escolhas, pois foi ela quem se permitiu, deliberadamente, se envolver com um escorpião. Assim, vale a regra de sobrevivência para quem esteja atravessando um vale repleto de escorpiões: Evite Lugares, Evite Pessoas e Evite Situações de Hábito.

Lembre-se que Deus é para nós como o único verdadeiro amigo, pai e escudo verdadeiro contra todo o mau, para todo e qualquer tempo, em toda e qualquer circunstância, e é Ele quem nos diz assim: 

“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;” Pv 5:1. “Porque melhor é a sabedoria do que joias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.” Pv 8:11. “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?” Pv 6:27,28. “Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Ec 7:12.

E ele diz ainda muito, muito mais, basta estar atento para ouvir, aprender e corrigir-se:

"Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido; Para que guardes os meus conselhos e os teus lábios observem o conhecimento. Porque os lábios da mulher estranha destilam favos de mel, e o seu paladar é mais suave do que o azeite. Mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes. Os seus pés descem para a morte; os seus passos estão impregnados do inferno. Para que não ponderes os caminhos da vida, as suas andanças são errantes: jamais os conhecerás. Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha boca. Longe dela seja o teu caminho, e não te chegues à porta da sua casa; Para que não dês a outrem a tua honra, e não entregues a cruéis os teus anos de vida; Para que não farte a estranhos o teu esforço, e todo o fruto do teu trabalho vá parar em casa alheia; E no fim venhas a gemer, no consumir-se da tua carne e do teu corpo. E então digas: Como odiei a correção! e o meu coração desprezou a repreensão!" (Provérbios 5:1-12)

Bons momentos a todos e cuidado com nossos escorpiões da vida, eles podem nos destruir em plena recuperação!

Dedicado a Thayanne Oliveira Torres dos Santos, guardiã do portal do cemitério dos muitos sapos, uma terrível (e incurável?) escorpião fêmea.

sábado, 11 de junho de 2011

Análise da Aplicação da Parábola do Sapo e do Escorpião para Adictos em Recuperação:


Cada ser humano tem uma índole pessoal e individual, uma propensão natural, e ela não muda, não pode mudar a não ser que haja a ocorrência um raro tipo de conversão, que somente pode existir por determinação do próprio Deus. Tal índole pessoal e individual, manifesta-se em todas as circunstâncias da vida de cada individuo, até mesmo quando essa manifestação parece contrariar toda e qualquer lógica e o bom senso.

Assim como adicção, que é uma doença incurável, a índole também é uma marca indelével da alma que a transporta. A adicção por algo ruim pode ser estancada, mas normalmente acabamos sempre substituindo um objeto de adicção (ruim) por outro (bom ou menos ruim),no entanto, o tipo índole de alguém não pode ser trocado por esforço ou boa vontade, só por milagre mesmo!

Nos âmbitos tanto da psicologia social, quanto da psicologia jurídica o termo índole ainda é pouco usado e quase nada definido, tem sido preferível usar-se o termo caráter , ao invés de índole, mas o caráter de uma pessoa pode ter várias variantes, como por exemplo, ser dramático, religioso, especulativo, desafiador, covarde, inconstante. Tais variações podem ser inúmeras, mas índole só pode ser boa ou má, assim, índole e caráter são coisas diferentes.

Índole é natureza, remete a instinto, e não é somada às ações do meio, e atinge o seu “tipo” definido desde a concepção, adicção é um transtorno psíquico que não vem com “objeto” definido, ou seja, a adicção só pode virar drogadicção, se a droga causar, de fato, prazer ao indivíduo adicto, todavia, existem outras dúzias de objetos de adição, além das drogas, mas índole, por fim, só por hoje, só tem dois tipos: boa e má!

Assim,, escorpiões são sempre escorpiões, sapos sempre sapos, lobos sempre lobos e cordeiros sempre cordeiros (salvo milagre de Deus, nos quais eu, só por hoje, ainda acredito).

Não da pra ir para a cama com um escorpião sem acabar por encontrar a morte. Quem morre assim morre por sua própria escolha, assim, evite lugares, evite pessoas e evite situações, pois assim fala o meu e o teu Deus:



“Filho meu, atende à minha sabedoria; à minha inteligência inclina o teu ouvido;” Pv 5:1. “Porque melhor é a sabedoria do que joias, e de tudo o que se deseja nada se pode comparar com ela.” Pv 8:11. “Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés?” Pv 6:27,28. “Pois a sabedoria é para proteção, assim como o dinheiro é para proteção; mas a vantagem do conhecimento é que a própria sabedoria preserva vivos os que a possuem.” Ec 7:12.

Em certo ponto dos passos da nossa recuperação nós nos sentimos impelidos a fazer reparações diretas à pessoas as quais prejudicamos no nosso passado. Nesta hora, muito adictos em recuperação sinceros entendem que alguns dos que eles prejudicaram, são outros adictos que ainda se encontram na ativa. O desejo sadio e honesto de fazer reparações nestes casos, pode resultar na abertura de oportunidades de recaída.

A palavra do meu Deus, a Bíblia, nos diz: "Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas ..." Mt 10:16

É exatamente assim, nesta situação desigual, que se encontra o adicto em recuperação nesta hora (ovelha x lobo), e, é exatamente assim, que o adicto em recuperação deve ser armar e preparar (prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas), antes de, de fato, partir para encarar tal circunstância.

Se o adicto em recuperação não estiver plenamente habilitado nesta hora, ele simplesmente será devorado, bestamente, como uma ovelha, que se lança, incauta, em meio a lobos.

Levar a mensagem de recuperação ao adicto que ainda sofre não é nada tão simples, mas levar esta mesma mensagem as um adicto que ainda sofre ao qual nós amamos de maneira especial, quer por laços familiares e / ou afetivos, os quais nos são tão íntimos, que simplesmente não podemos simplesmente descartá-los pela via da regra "evitar pessoas", e cuja persistência em se manterem na adicção ativa, leva-nos, adictos em recuperação, a uma situação inesperada e estranha: nós passamos de dependentes a codependentes. Passamos a sofrer justamente daquilo que, antes, causávamos aos outros: o sofrimento por codependência.

Eu mesmo sofro demais ao tentar levar a mensagem à adictos que ainda sofrem que me são especiais, por não encontrar neles compreensão e boa vontade para a reação de entrega e mudança. Isso, ainda hoje, vez ou outra, ainda me causa raiva. Todavia eu tenho que aprender a aceitar que existe uma verdade, dura, mas existe: “Só podemos modificar a nós mesmos, aos outros só podemos amar!”

Para alguém amar um adicto de forma bem sucedida não é muito simples: é preciso desenvolver uma sabedoria toda especial para filtrar as coisas dessa relação, a fim de que as ações do amor sejam mesmo construtivas.

Essa situação inusitada muitas vezes nós põe confusos, frágeis emocionalmente, e, com isso, se abre uma brecha para nossa própria recaída. Mesmo com boa experiência de sala, ou mesmo de serviço, temos dificuldades em desenvolver um conhecimento exato que nos provenha mecanismos para lidar com a codependência, afinal, esta é uma questão é por demais emocional.

Muitas vezes ainda, o nosso despreparo esta no fato de que nem nós mesmos ainda nos rendemos o suficiente ao nosso Poder Superior, de modo a desenvolver nele fé, para nos firmanos nele em segurança e para nos revestirmos da armadura completa para enfrentar os desafios mais elevados da nossa própria recuperação.

Você adicto em recuperação, meu querido sapo feliz, não seja tolo e considere tudo isso com muita prudência, antes de decidir aceitar tentar carregar nas costas os seus escorpiões traiçoeiros! Antes, faça tudo para ser feliz e livre de ônus de dívidas que lhes imputam, mas que já foram pagas , quando Cristo foi levantado da terra, e nos atraiu a todos!

Tenham todos bons momentos!
Licença Creative Commons
Este trabalho de André Luis Lenz, foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - NãoComercial - CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada.
 
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